 |
|
12.11.2007 |
|
|
|
Inovação: Você Está Preparado? |
|
|
|
* Reinaldo Silvestre
Começo este artigo com uma pequena reflexão: “Me foi sugerido que escrevesse
sobre o tema ‘Inovação na pequena empresa’. Sem dúvida, este assunto nos remete
a inúmeras possibilidades. Poderia discorrer sobre a importância da inovação,
sobre a necessidade de se fazer algo diferente, melhor, exclusivo... Poderíamos
discutir os impactos desta percepção, ou o que é preciso para consegui-la,
enfim, é realmente um tema amplo. Porém, permito-me levantar aqui outro aspecto
desta contenda: a resistência. Se vamos falar de inovação na pequena empresa,
não podemos deixar de lado este aspecto. Sim, resistência, embora do lado oposto
está intimamente ligado a inovação, afinal, pra se fazer algo inovador é preciso
deixar de lado o tradicional, o “feijão com arroz”, que na melhor das hipóteses
gera apenas resultados previsíveis, comuns. Pra se inovar realmente é preciso
deixar preconceitos de lado, é preciso correr riscos, é preciso romper
paradigmas e não há como fazer isso sem vencer a resistência. Resistência
esta perfeitamente justificável, afinal é nativo do ser humano ter medo do
que desconhece, portanto, é natural que resista às mudanças, que resista à
inovação. Agora que está claro meu objetivo, vamos lá, vamos analisar questões
importantes neste sentido”.
Inovação, deriva do verbo inovar que significa “promover mudanças
significativas”. No contexto empresarial, usamos esta palavra geralmente com uma
conotação positiva. Inovar um produto ou serviço é sinônimo de melhorá-lo, de
reinventá-lo, de ser e fazer a diferença. O que se espera deste tipo de
iniciativa é que os resultados apareçam e que sejam de preferência positivos. A
questão é abrangente, existem estratégias específicas para se lançar produtos e
serviços inovadores. Existem estratégias inclusive para se criar mercados
inovadores, “A estratégia do Oceano Azul” (tema discutido no livro de W. CHAN
KIN e RENEE MAUBORGNE) é um bom exemplo. Talvez você considere que a questão
está ficando complexa demais para a pequena empresa e que seria demagogia
abordar uma estratégia tão inovadora que é capaz de prever mercados que ainda
não existem e por isso são de certa forma exclusivos. Fique tranqüilo, como
disse anteriormente, não é este meu objetivo, ao menos não neste artigo. Só
estou chamando a sua atenção, porque realmente há inúmeras alternativas e
garanto que muitas delas são viáveis e cabem perfeitamente na a pequena empresa.
Dito isto, pergunto a você: se em um primeiro momento, quando se fala de
inovação ficamos tentados, se é tão bom imaginar-se inovador, se é melhor ainda
imaginar o sucesso de ser precursor em qualquer coisa, de ser reconhecido por
isso e ainda ter resultados excelentes, de se ganhar dinheiro com isso, por que
na prática são tão poucos os produtos e serviços que se destacam e merecem ser
considerados inovadores?
Talvez minha resposta o desagrade (e você nem precisa concordar comigo),
quero apenas que pense a respeito: Essa dificuldade toda de colocar em prática
produtos e serviços inovadores não é falta de boas idéias ou de criatividade,
muito pelo contrário, estes atributos temos de sobra, o que nos falta realmente
é ousadia. Sim pra inovar é preciso ser ousado, é preciso ser arrojado, é
preciso correr o risco de tentar e não conseguir, é preciso principalmente ter a
determinação de continuar tentando, é preciso não abandonar o projeto assim que
surgirem os primeiros obstáculos e garanto a você que eles irão surgir. Ressalto
também que há uma grande diferença entre ser ousado e ser irresponsável. Correr
o risco, não deve significar perder tudo, afundar seu negócio porque concentrou
todos os esforços em uma oportunidade que acreditava ser única e não deu certo.
Quando a empresa (principalmente a pequena) está consolidada em seu ramo de
atuação, tende a acomodar, tende a entrar em uma “zona de conforto” e este
estado torna-se perigoso quando a concorrência começa a ser desprezada, quando
os produtos e serviços evoluem e não são acompanhados, quando a necessidade dos
clientes passa a ser maior, às vezes passa até a ser outra e não se percebe.
Estes são apenas alguns dos muitos indícios da “acomodação” a que me refiro.
Infelizmente, o que normalmente acontece é que quando estes “sintomas” são
percebidos a situação já está preocupante, o faturamento já despencou, a
carteira de clientes já não é a mesma, a concorrência também não, a única coisa
que permanece igual é a empresa “fictícia” de nosso exemplo. Não é difícil
prever a próxima etapa: Bateu o desespero e começa a busca “frenética” por
mudanças. Alguém levanta a bandeira da “inovação” e a empresa tenta reverter em
um curto espaço de tempo, toda a defasagem e prejuízo que acumulou. Normalmente
o resultado é desastroso: a “lição de casa não foi feita”, nossa empresa
“fictícia” não estava preparada, seus profissionais estavam defasados, seus
clientes não conseguiram enxergar o valor do novo produto ou serviço, afinal não
estava à altura do que a concorrência oferecia, não tinha um preço competitivo,
tampouco a mesma qualidade. Neste momento vejo apenas duas cenas:
1 - Aceitar a realidade e dar um ou dois passos para trás, ou seja, recuar
mesmo, enxugar as despesas, negociar com os fornecedores, atender demandas
menores, atualizar-se no segmento que tem experiência, usar a tradição a seu
favor e muitas outras medidas que podemos discutir em outra oportunidade.
2 – Não aceitar a realidade, encontrar pelo menos uma dúzia de culpados para
esta situação “injusta” (governo, funcionários incompetentes, concorrentes
desleais, forças espirituais ocultas (rs), etc) e permanecer tentando soluções
milagrosas. A conseqüência desta atitude é uma só: falência.
Por isso, reforço que “inovar” não pode ser sinônimo de irresponsabilidade.
Neste exemplo “fictício” que mencionei, houve apenas uma tentativa desesperada e
imprópria.
A inovação deve vir justamente quando a empresa está bem, com saúde
financeira, quando encontra-se naquela “zona de conforto”. Neste momento, temos
sim uma empresa (seja ela pequena ou não) competente que está agindo de acordo
com a necessidade de seus clientes. É justamente neste momento que a
“resistência” a idéias novas tem que ser vencida. Este é o momento mais propício
para se inovar, para se arriscar em um novo projeto, em um novo segmento, ou
mesmo para se lançar produtos melhores, exclusivos. A empresa tem tempo para se
preparar, tem margem para suportar erros, afinal de contas, não está
comprometida e não irá deixar de atender às suas demandas tradicionais.
O interessante é que na pequena empresa, trata-se inicialmente muito mais de
uma questão emocional (dos proprietários), do que técnica. O crescimento
sustentável de qualquer organização acontece de maneira estruturada, ou seja, é
preciso profissionalizar a estrutura, investir na qualificação da mão de obra e
na infra- estrutura. É preciso descentralizar as decisões e explorar os talentos
da equipe.
Lembre-se uma empresa só evolui quando seu capital humano evolui também.
Reflita...
* Reinaldo Silvestre
Sócio proprietário da Empresa ZAP Trade (aplicações de Tecnologia da
Informação, Consultorias e Treinamento Corporativo), com sede em Santos (SP)
onde atua há mais de cinco anos como consultor.
Graduado em Administração de Empresas (UNIMONTE) e MBA em Gestão
Empresarial (FGV) é especialista em soluções de Tecnologia da Informação com
ênfase em GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos) / ECM (Enterprise Content
Management); Estudos e Consultorias com ênfase em Planejamento e Gestão
Estratégica. Ministra também cursos e palestras sobre temas comportamentais para
o segmento corporativo.
Atende através de sua empresa clientes de médio e grande porte em todo o
território nacional, como: VIVO, ATP-ASBACE, Riachuelo, Libra Terminais,
Transcar, FENAMAR, dentre outros.
|