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Gisela Kassoy, Especialista em Criatividade e
Inovação, realiza trabalhos de Consultoria, Seminários, Palestras e atua como
Facilitadora de Dinâmicas e Equipes de Geração de Idéias no Brasil e no
exterior. Trabalha para empresas como Solvay, Banco Real, Festo, Springer
Carrier, Bosch e ABN-Amro Real. É autora do livro Porta-Idéias, Um Guia para V.
Estimular, Guardar e Aprimorar Idéias e co-autora do Manual de Treinamento e
Desenvolvimento da ABTD. gisela@giselakassoy.com.br.
http://www.giselakassoy.com.br
Devo o título deste artigo a Humberto Lusvarghi, participante de um workshop
de criatividade que fiz para a BASF. Foi numa conversa de intervalo, dessas
regadas a suquinhos e sanduíches, que o Humberto me procurou para falar sobre a
desmistificação do processo criativo. O ponto é o seguinte: a originalidade, as
idéias extraordinárias, às vezes ajudam. Às vezes são fundamentais.
Mas nem sempre. Há uma noção de que as melhorias – também chamadas de
inovações incrementais voltadas para melhorias, redução de custos, etc. – são
fruto de muitas pequenas idéias, enquanto que a inovação de impacto –
normalmente voltada para novos produtos ou estratégias de marketing – é fruto de
uma grande idéia. Não é a idéia que tem que ser grande: grande tem que ser o seu
efeito.
Há diferenças que fazem toda a diferença, como a passagem do cadarço para o
velcro nos tênis, por exemplo. Quantas boas idéias, quantas inovações de fato
lucrativas, pode-se ter trazendo idéias já consagradas de outros segmentos? A
Springer Carrier, por exemplo, inovou sua estratégia de marketing trazendo do
universo da decoração a idéia do show-room. Assim, hoje temos show-rooms de
ar-condicionado, por que não? Outro argumento em defesa das pequenas idéias vem
dos consultores americanos Alan Robinson e Dean Schroeder, autores do livro
“Ideas Are Free”: para eles, são as grandes idéias que tendem as ser copiadas
rapidamente pela concorrência, pois chamam mais a atenção.
No fundo, precisamos redefinir a noção do que é uma grande idéia, pois a
busca do ineditismo e da ousadia pode nos tolher a visão ou provocar idéias de
difícil implementação. Não podemos nos deixar impressionar pela grandiosidade
das idéias que caem em nossas mãos: elas não são necessariamente as mais
rentáveis, são apenas as que mais aparecem. É extremamente saudável para quem
quer inovar conhecer o histórico de inovações. O processo criativo é
desmistificado.
Assim, além da famosíssima história do post-it, oriundo da cola que não
colava, devemos ir atrás de histórias como a do Martini: uma companhia aérea
americana precisava reduzir custos e para isso deixou de oferecer Martini, que
já era pouco consumido, nos vôos matinais. Com isso, eliminou também as
azeitonas (produto perecível e portanto mais caro) e aproveitou o espaço que
elas ocupavam na geladeira para outras coisas. Atenção: essa idéia foi dada por
um comissário de bordo. E o que foi preciso para que ele a gerasse? Nada de
arroubos de genialidade. Bastou estar atento, observar rotinas como processos
mutáveis, conhecer o próprio trabalho.
Para as pessoas que utilizam, ensinam e facilitam processos de brainstorming
(ou tempestade cerebral, o momento de expressar todas as idéias a respeito de um
assunto, sem censura) vale lembrar que nesta fase, além das idéias absurdas,
deve haver espaço para as idéias que – apesar de quebrar paradigmas – em sua
essência são simples. Na segunda fase do brainstorming, quando as idéias são
agrupadas e selecionadas, a busca da grande idéia pode podar as pequenas. Além
disso, o agrupamento das idéias pode ser perigoso: juntando idéias parecidas,
poderemos perder de vista aquela que fará toda a diferença.
Outra forma de gerarmos idéias boas, rentáveis e não necessariamente
grandiosas é por meio da técnica da “fertilização cruzada”. O nome, oriundo da
biologia, fala justamente da nossa capacidade de obter inspiração em universos
diferentes dos nossos, como no caso da Springer Carrier, citado acima. Assim, se
a idéia do Martini veio da observação do cotidiano, inúmeras outras idéias
surgem da observação do diferente. Finalmente, é preciso estar preparado para a
inovação.
Em vendas e em atendimento costumam surgir inúmeras idéias, pequenas mas
poderosas, freqüentemente geradas pelos próprios vendedores e atendentes. Muitas
vezes essas idéias se perdem ou são utilizadas uma única vez, pela falta de um
canal de resgate e comunicação. É preciso lembrar de que pequenas idéias geram
grandes negócios.
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