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Gisela Kassoy, Especialista em Criatividade e
Inovação, realiza trabalhos de Consultoria, Seminários, Palestras e atua como
Facilitadora de Dinâmicas e Equipes de Geração de Idéias no Brasil e no
exterior. Trabalha para empresas como Solvay, Banco Real, Festo, Springer
Carrier, Bosch e ABN-Amro Real. É autora do livro Porta-Idéias, Um Guia para V.
Estimular, Guardar e Aprimorar Idéias e co-autora do Manual de Treinamento e
Desenvolvimento da ABTD. gisela@giselakassoy.com.br.
http://www.giselakassoy.com.br
O que a Starbucks, os Post-its, a mini van e o leasing têm em comum? São
todos produtos e serviços inovadores que transformaram o mercado e obtiveram
sucesso sem ter que lutar contra a concorrência nem reduzir custos.
Não é este o sonho de todo empreendedor e de toda empresa? E tudo começou com
uma boa idéia. Segundo o consultor em administração Karl Albrecht, a idéia é a
matéria prima da inovação. Daí a achar que uma idéia por si só pode levar ao
sucesso, ser o pulo do gato, há um certo exagero. A implementação de uma nova
proposta requer um certo esforço e habilidades tão importantes como as
utilizadas para a sua criação.
A cultura brasileira nunca valorizou o esforço. Nos tempos da colonização
portuguesa, o trabalho existia apenas para seres considerados inferiores. Nos
dias de hoje, o golpe do baú, as loterias e até a corrupção são vitrines
constantes de formas de vencer na vida. Felizmente, nem sempre elas são
funcionam. Resta o sonho da idéia salvadora, um caminho honesto, meritório e
fácil para se atingir o sucesso.
Quanto há de verdadeiro nisso? Sou consultora especialista em criatividade e
inovação. Meu trabalho é, além de incitar a geração de idéias, garantir que elas
não sejam desperdiçadas. A intenção deste artigo é ajudá-lo a lidar com os
empecilhos mais freqüentes, ou seja, fazer a inovação acontecer.
Vejamos, portanto, o que mais, além de uma boa idéia, é necessário para que o
pulo do gato se dê completa e favoravelmente:
A Venda da Idéia – Não importa se você é empreendedor,
empresário ou executivo. Você precisa da receptividade dos outros para que sua
idéia evolua. Transforme sua idéia em um projeto claro e conciso. Realce os
resultados que ela trará, calcule a relação custo-benefício, pense nas objeções
possíveis e crie de antemão formas de combatê-las. Entenda que uma nova idéia
sempre exige uma nova forma de pensar. Você viu uma possibilidade diferente, mas
os outros ainda não.
Cultura Adequada - Para uma idéia ter receptividade, é
preciso que as pessoas envolvidas estejam preparadas para tal. A cultura da sua
empresa é aberta a inovações? Como o erro é visto? Se uma inovação envolver mais
de uma área, como se lida com os palpites em seara alheia? A cultura da empresa
pode ser ou não um solo fértil para inovações, mas não se trata de uma barreira
intransponível. O papel de quem cuida das inovações na empresa é entender e
administrar as características da cultura organizacional para que o terreno seja
cada vez mais fecundo. Um empreendedor solo precisa pensar nas características
das pessoas que poderão (ou não) apoiá-lo: colegas, parceiros, família e
eventuais financiadores.
Esforço e Recursos - Você ou alguém na empresa terão tempo,
verba, poder e dedicação para fazer a inovação acontecer? Normalmente esses
quesitos são escassos. Com empenho e criatividade pode-se realizar uma idéia com
uma verba menor do que a prevista, mas tempo e dedicação tendem a ultrapassar em
muito a previsão inicial. Quanto ao poder, vale lembrar que ele não se limita ao
poder do cargo. A persuasão também é um forte instrumento para que se dê espaço
para a inovação
Estrutura – Em sua empresa há comitês, comunidades de
práticas ou outras formas para que as pessoas se organizem para fazer a inovação
acontecer? Se você atua sozinho, já desenvolveu uma estrutura que favoreça o
sucesso da inovação?
Testes, Monitoramento e Reajustes – Uma estrutura sólida
para dar suporte às inovações envolve os famosos funis que avaliam as sugestões
em diferentes etapas. Após o lançamento é preciso monitorar a evolução do novo
produto ou serviço. Dificilmente uma idéia chega ao mercado tal qual foi criada.
Um empreendedor não pode confundir persistência com teimosia e deve, portanto,
estar aberto aos eventuais reajustes.
Depois de tantos requisitos, pode parecer que o pulo do gato é mais difícil
do que parece. De fato, o gato pula porque tem musculatura adequada, preparo
físico e vontade de pular. Ele pula também porque tem sete vidas, e pode,
portanto correr riscos. Mas acima de tudo, ele pula porque vê os benefícios de
seu salto e sabe que vale a pena.
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