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Gerda Lucia Pinheiro Camelo Mestre em Gestão e Políticas
Públicas e Professora de Estratégia Empresarial – CEFET-RN E-mail: gerda@cefetrn.br
Gisele Eloá Lopes Bernardino Aluna do curso de Comércio
Exterior – CEFET-RN e do curso de História – UFRN E-mail: Gisele_eloa@hotmail.com
Juliana Schmaltz Martins Aluna do curso de Comércio Exterior
– CEFET-RN e do curso de Economia – UFRN E-mail: juschmaltz@gmail.com
Renata Katherine Oliveira de Araújo Aluna do curso de
Comércio Exterior – CEFET-RN e do curso de Administração – UFRN E-mail: rennatakatherinne@yahoo.com.br
Sávyo dos Santos Souza Aluno do curso de Comércio Exterior –
CEFET-RN e do curso de Administração – UFRN E-mail: savyoss@yahoo.com.br
Resumo: As organizações, sejam em suas formas
mais primitivas até as mais complexas, permearam toda a história de nossa
civilização e graças a elas que o homem conseguiu concretizar idéias que sozinho
não seria capaz de realizar. Ao longo da evolução de sua história, o homem
foi-se tornando cada vez mais dependente dos laços que o uniam às organizações e
entendê-las, como melhor por os recursos disponíveis para o alcance das
necessidades individuais e do coletivo, tornou-se fundamental. Mas foi somente
no início do século XX que estudos voltados para essa temática foram
desenvolvidos, um deles pelo francês Henri Fayol que criou a teoria acerca das
funções administrativas onde toda organização desenvolveria quatro áreas voltas
para a sua funcionalidade operacional: planejamento, direção, controle e
organização. Apesar das críticas a sua teoria, o pensamento de Fayol ainda é
muito presente no ambiente das organizações contemporâneas. Partindo dessa
concepção, o presente artigo, desenvolvido por meio de uma pesquisa exploratória
descritiva, com base em coleta de dados primários e secundários, apresenta um
estudo de caso realizado em uma empresa exportadora do estado do Rio Grande do
Norte de forma a apresentar a aplicabilidade dos princípios da teoria de Fayol
na realidade empresarial comprovando a contemporaneidade dos seus pensamentos.
Acredita-se que tal discussão é pertinente para acadêmicos e profissionais de
gestão que certamente buscam novas formas de organizarem os processos
administrativos nas organizações e para que futuros gestores possam melhor
aplicar as estratégias da teoria de Fayol na prática de sua administração
buscando a contínua eficiência e eficácia das organizações no complexo ambiente
empresarial para assim melhor obter vantagens competitivas para a sua inserção
no mercado.
PALAVRAS-CHAVE: Ambiente empresarial, funções administrativas,
administração estratégica.
1 INTRODUÇÃO
Não é difícil perceber que as organizações, sejam em suas formas
mais primitivas até as mais complexas, permearam toda a história de nossa
civilização. Foi graças a elas que o homem conseguiu concretizar idéias que
sozinho não seria capaz de realizar. Na evolução de sua história o homem foi-se
tornando cada vez mais dependente dos laços que o uniam às organizações chegando
ao ponto de que entendê-las, como melhor por seus recursos para uma melhor
eficiência e eficácia de seus objetivos, passou a ser fundamental para a sua
sobrevivência. Os primeiros estudos que viriam a iniciar a Teoria
Geral da Administração (TGA), com o intuito de propor uma sistematização sobre
os estudos das organizações, surgiram no início do século XX com as obras
Princípios de Administração Científica de Frederick Winslow Taylor (1856-1915) e
Administração Industrial e Geral de Henry Fayol (1841-1925). Este último,
engenheiro de minas francês, é um dos teóricos clássicos da Ciência da
Administração, sendo o fundador da Teoria Clássica da Administração. Fayol foi o
primeiro a desenvolver uma abordagem que visualizava a organização como um todo,
ao contrário da visão microscópica de Taylor cuja teoria está centrada no nível
individual de cada operário com relação às tarefas. Para Fayol, a organização
teria de ser visualizada de cima para baixo (da direção para a execução) e do
todo para as partes (CHIAVENATO, 2004).
Fayol propôs em seus estudos quatro funções administrativas que
envolveriam a organização com a finalidade de alcançar a eficiência e eficácia
por meio da administração constituindo o processo administrativo. São elas:
planejamento, controle, organização e direção. Apesar de algumas críticas a sua
teoria, como a abordagem simplificada da organização formal (sem considerar o
conteúdo psicológico e social) e uma abordagem de sistema fechado não levando em
consideração os fatores ambientais externos à qualquer organização, é inegável
que seus princípios são perfeitamente aplicáveis na administração
contemporânea de recursos materiais e humanos. Diante disso, este artigo
apresenta um estudo de caso realizado em uma empresa exportadora do estado do
Rio Grande do Norte de forma a apresentar a aplicabilidade dos princípios da
teoria de Fayol na realidade empresarial, ou seja, em que proporção estão sendo
aplicados e utilizados, como forma de provar a contemporaneidade dos pensamentos
de Henri Fayol.
Para tal foi-se utilizado uma base bibliográfica em livros e
artigos científicos publicados sobre o tema para a construção da revisão da
literatura. A coleta dos dados primários foi realizada por meio de uma
entrevista junto ao gestor da empresa escolhida para estudo com um formulário
organizado pelo sistema de pautas, de acordo com a fundamentação teórica
utilizada, com perguntas abertas e semi-abertas. O tratamento dos dados deu-se
com enfoque qualitativo respaldado em respostas obtidas nas perguntas contidas
no formulário buscando-se uma relação qualitativa entre as bases secundárias da
pesquisa (fundamentação teórica) e dados primários obtidos na entrevista com o
gestor da empresa.
O presente artigo está divido em três seções, além desta
introdução. Na seção 2 são apresentados de forma sumária os quatro princípios de
Fayol. A seção 3 mostra a apresentação dos resultados obtidos por meio da
aplicação de um questionário semi-estruturado junto a empresa utilizada para
estudo de caso. Por fim, na seção final são feitas as considerações do estudo e
possíveis recomendações. Acredita-se que tal discussão é pertinente para
acadêmicos e profissionais de gestão que certamente buscam novas formas de
organizarem os processos administrativos para o alcance da eficiência e eficácia
dos recursos disponíveis em suas organizações no complexo ambiente empresarial
para assim melhor obter vantagens competitivas para a sua inserção no
mercado.
2 VISÃO GERAL DAS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS
2.1 A função administrativa de planejamento
O planejamento consiste em um processo administrativo onde se
estabelecem os objetivos ou metas organizacionais e os melhores meios de como
alcançá-los por meio da organização dos recursos disponíveis. É tida como a
primeira função administrativa devido a sua tamanha importância de envolver a
solução de problemas e a tomada de decisões não só quanto às alternativas
futuras, mas também às alternativas do presente (CHIAVENATO, 2004). É o
planejamento que norteia a organização durante todo seu ciclo operacional
utilizando-se da aquisição de informações provenientes do meio que a envolve
(ameaças e oportunidades de mercado, por exemplo), da análise e interpretação
dessas informações, e da tomada de decisões (elaboração de planos).
Para Maximiano (2005), o planejamento pode ser classificado em
três tipos de acordo com a abrangência sobre a organização. A saber:
• Planejamento estratégico: elaborado a nível institucional
envolvendo toda a organização, definindo o por quê de sua existência, o que ela
faz e como faz. Para Maximiano é “a relação pretendida da organização com seu
ambiente”. Essa relação pode ser melhor definida por meio de uma série de
análises, não isoladas entre si, estudadas na administração por muitos autores.
Entre eles destaca-se o estudo das vantagens competitivas realizada por Porter
(1989) em que assinala como as organizações podem desenvolver e manter vantagens
competitivas em um mercado globalizado e altamente competitivo por meio da
análise do ambiente externo que a envolve, gerando um melhor desempenho e
conseqüentemente um melhor posicionamento no mercado; • Planejamento
tático ou funcional: traduz os planos estratégicos em ações especializadas para
as unidades organizacionais (departamentos), sendo, então, elaborado a nível
intermediário. Define as responsabilidades, cursos de ação e objetivos para cada
unidade funcional, todos em consonância com o que foi estabelecido a nível
institucional; • Planejamento operacional: coordena por meio de
cronogramas, decisões, orçamentos e até mesmo outros planos (subplanos) as
atividades individuais realizadas. É um planejamento focado no curto prazo e na
rotina assegurando que todos executem as tarefas e operações de acordo com os
procedimentos estabelecidos pela organização, focado na eficiência, melhor
alocação dos recursos disponíveis, e na eficácia dos resultados.
Ainda conforme Maximiano, o planejamento é uma dimensão de
competências, técnicas, informações e decisões. Portanto, para que o
planejamento obtenha êxito é necessário que seja bem definido em suas metas,
objetivos, métodos e que esteja em um contínuo relacionamento com ambiente
externo à organização para que se obtenha um feedback dos resultados alcançados
e então se preparar para começar novamente todo o processo.
2.2 A função administrativa de controle
Função administrativa na qual a organização avalia suas
realizações contidas no planejamento com o objetivo de mensurar, monitorar e
acompanhar o sucesso ou fracasso de suas atividades. Por esta definição,
percebe-se que o planejamento e o controle estão intimamente ligados. Enquanto o
primeiro estabelece o que fazer e como fazer, o segundo cria os meios pelo qual
será feita a avaliação de como estão sendo feitas as atividades para a
realização dos objetivos e metas organizacionais. Assim como o
planejamento, o controle também pode ser distribuído a níveis organizacionais ou
hierárquicos. Desse modo, Chiavenato (2004) e Maximiano (2005) dividem o
processo de controle organizacional em três níveis, a saber:
• Controle estratégico: implementado a nível institucional
abordando a organização como um todo. Esse controle tem duas finalidades:
acompanhar e avaliar o desempenho da organização na realização de sua missão e
acompanhar os fatores externos que influenciam suas tomadas de decisão. Para
Maximiano, o controle estratégico define a missão e o desempenho desejado com
base na análise interna do ambiente (a própria organização) e na análise externa
(o meio que a circunda); • Controle administrativo ou tático: focado nas
áreas funcionais da organização, ou seja, nos departamentos. É aplicado, assim,
a nível intermediário ou departamental, possibilitando a tomada de decisão e um
melhor acompanhamento e avaliação em cada um dos setores. É menos genérico e
mais detalhado do que o controle estratégico; • Controle operacional:
voltado às atividades em qualquer área funcional e aos recursos utilizados em
sua realização. É direcionado a curto prazo e cada operação em separado.
Apesar de ser elaborado e aplicado em todos os níveis
administrativos, Montana e Charnov (2000) mostram que processo de controle é
cíclico e praticamente o mesmo em todos os níveis, realizado da seguinte
forma:
• Estabelecimento dos padrões de desempenho: é a busca pela
referência do melhor padrão de desempenho, a melhor maneira de se fazer as
atividades de modo a alcançar o que está contido no planejamento atendendo o
esperado por seus organizadores; • Mensuração do desempenho: controle é
avaliar e mensurar como a organização realiza suas atividades. Mensurar o
desempenho envolve medidas quantitativas e qualitativas. A forma de como será
medido é crucial para se obterem as informações necessárias; • Avaliação
(feedback): fase na qual o desempenho é medido e comparado com o padrão. Daí
resultará dois resultados: o desempenho satisfará os padrões ou não. No segundo
caso aplica-se a ação corretiva necessária.
O uso eficiente da função controle é uma ferramenta poderosa para
assegurar que o que foi planejado será alcançado.
2.3 A função administrativa de organizar
A organização como função administrativa consiste em desenvolver
métodos apropriados de melhor dispor recursos, não só matérias como também
recursos humanos, necessários ao alcance dos objetivos e metas da organização de
acordo com o plano estratégico. Sendo assim, a função administrativa de
organizar está relacionada ao ato de planejar. Nas palavras de Montana e Charnov
(2000): “se não soubermos para onde estamos indo, não saberemos como nos
organizar para chegar lá”.
O processo de organização passa por cinco fases apresentadas a
seguir: • Análise de objetivos: definir qual o principal objetivo da
organização, o que se pretender fazer, ou seja, qual a sua missão em termos
organizacionais; • Divisão do trabalho: processo por meio do qual uma
tarefa é fracionada em partes ou unidades, cada uma delas atribuída a uma pessoa
ou grupo de pessoas; • Definição de responsabilidades: obrigações ou
deveres das pessoas na realização de tarefas ou atividades; • Definição
dos níveis de autoridade: depois de dividir o trabalho, é preciso atribuir a
autoridade a pessoas ou a unidades funcionais, seguindo a hierarquia e amplitude
de controle; • Desenho da estrutura organizacional: todas as decisões
sobre divisão do trabalho, responsabilidades e autoridade resumem-se na
estrutura organizacional. O desenho da estrutura organizacional mostra a
autoridade e as responsabilidades das pessoas, como indivíduos e como
integrantes de grupos. A estrutura organizacional é representada por um gráfico
denominado organograma.
Um conjunto organizado seguindo algum tipo de critério possui uma
estrutura. Cada qual a sua maneira, as organizações se estruturam e se organizam
conforme suas necessidades, não existindo a melhor forma de se estruturar.
A melhor estrutura organizacional não depende tão somente dos
objetivos organizacionais, mas também, em certo grau, das condições ambientais
externas à organização. Alguns estudiosos sugerem que até a tecnologia em si
determina a estrutura (MONTANA E CHARNOV, 2000). Autores como Henry Mintzberg,
Charles Handy, Gareth Morgan, Chris Argyris e Senge, citados por Maximiano
(2005), realizaram estudos sobre as características dos modelos de estrutura
organizacional existentes.
Mintzberg, por exemplo, propõe em seu estudo sete tipos de modelos
ou configurações de organizações, cada tipo caracterizado pela parte da
organização que é mais importante para suas operações:
• Empresarial: a cúpula estratégica é a mais importante onde
são centralizadas as decisões; • Máquina: a parte mais importante é a
tecnoestrutura, compreendendo os técnicos especializados e
gerentes; • Profissional: o núcleo operacional que compreende as pessoas
envolvidas diretamente no fornecimento de produtos e serviços é a parte mais
importante; • Diversificada: a parte importante constitui-se na linha
média da organização composta dos gerentes que se situam entre a cúpula
estratégica e o núcleo operacional; • Inovadora: ênfase na busca de
conhecimentos para lidar com o ambiente dinâmico. A parte mais importante é a
pesquisa e desenvolvimento; • Missionária: controle de pessoas por meio
de crenças e símbolos tendo como parte mais importante não uma unidade de
pessoas, mas a ideologia; • Política: as organizações políticas não têm
parte mais importante, nem mecanismos de coordenação geral, e são caracterizadas
pelo conflito.
Uma organização na abordagem de Mintzberg pode assumir mais de uma
das características citadas. O importante é que não só a estrutura
organizacional, mas a forma como os recursos materiais e humanos sejam
organizados no sentido de buscar a adequação de todos os múltiplos fatores que
envolvem uma organização ou unidade organizacional.
2.4 A função administrativa de direção
Para que as funções administrativas de planejar, controlar e
organizar se efetuem, é necessário que outra função lhes dê o suporte para sua
realização. Assim surge o papel da direção como função que guia as atividades
dos membros da organização nos rumos adequados para o alcance dos objetivos
organizacionais e pessoais de seus membros (CHIAVENATO, 2004).
A direção não é uma função exclusivamente centralizada no topo da
hierarquia. Assim como as demais funções esta também se distribui nos três
níveis organizacionais cada qual com suas competências recebendo nomes
específicos: • Direção: aplicada a nível institucional, genérica,
direcionada a longo prazo e aborda a organização como um
todo; • Gerência: aplicada a nível intermediário, menos genérica do que
o anterior abordando cada unidade organizacional em
separado; • Supervisão: aplicada a nível operacional. É detalhada e
analítica, direcionada a curto prazo e aborda cada operação em separado.
A direção nos três níveis organizacionais ou hierárquicos é dotada
de grande complexidade, pois está muito relacionada aos recursos humanos que
precisam ser aplicados em cargos e funções. Estudiosos como McGregor (1999)
voltaram suas pesquisas na tentativa de estudar as variáveis humanas
comportamentais que influenciam o papel de direção, desenvolvendo métodos que
contribuíssem para uma direção eficaz. A ênfase nos estudos de direção voltados
para o lado humano da empresa, como diz McGregor, possui uma justificativa
lógica: O que faz uma empresa funcionar, na realidade, são as pessoas. A empresa
pode ter máquinas, prédios, tecnologia, mas nada disso, sem o fator humano,
consegue ser suficiente para atingir os objetivos de uma empresa. São as pessoas
que reúnem, operam e proporcionam resultados manipulando os recursos físicos e
financeiros.
Teorias modernas de gestão como benchmarking, administração
participativa, empreendedora, virtual e reengenharia dentre outras, por exemplo,
foram desenvolvidas para melhor gerir as organizações aplicando-as em suas
funções de direção. Mas o importante é enfatizar que a direção é
predominantemente exercida sobre pessoas, grupos e equipes, não apenas
comportamentos individuais dos membros da organização. A melhor forma de direção
é aquela que melhor consegue reunir recursos materiais e humanos para o alcance
do que se é pretendido pela organização.
3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DO ESTUDO DE CASO
Neste capítulo serão apresentados os resultados obtidos por meio
do instrumento de coleta de dados. Não é de objetivo deste artigo se prolongar
em pormenores todos os detalhes inerentes às funções administrativas da empresa
em estudo, mas mostrar ao leitor aspectos fundamentais que demonstrem como tais
funções se encontram presentes na realidade empresarial.
3.1 Apresentação da empresa Sacoplast
Atuante no segmento de sacarias de ráfia do estado do Rio Grande
do Norte desde 1972, a Sacoplast é uma empresa pertencente desde 1989 ao Grupo
Tavares de Melo que atua nos ramos sucroalcoleiro (açúcar e álcool), de
embalagens, de calçados e de combustíveis nas áreas de armazenagem e
distribuição. A Empresa é a principal fornecedora das embalagens de todo
açúcar produzido pelas usinas do Grupo estabelecendo uma sinergia produtiva com
as mesmas, além de ter como principais mercados para os seus produtos, os
produtores de açúcar, farinha, fertilizantes e sal do estado. Com 22% de
participação no mercado de sacos de ráfia do país, fabricando e vendendo tecidos
para produção de big bags (contêineres de polipropileno), a partir de 2005, a
empresa passou a atuar também no ramo de Plasticultura, plásticos de proteção
utilizados em culturas agrícolas.
Atualmente, alinhada com os objetivos brasileiros de investir em
exportação e atrair divisas para o país, a empresa vem se reestruturando para
aumentar suas atividades no mercado externo reduzindo os efeitos da sazonalidade
no ramo de commodities na comercialização dos seus produtos. A empresa já mantém
fortes e estáveis relações de parceria com clientes da Europa e América Latina,
atuando desde 1994 com representantes na Argentina e na Colômbia, além de
prospectar mercados nos Estados Unidos. Dez por cento de sua produção é
destinada à exportação – com perspectiva de ampliá-la para em torno de vinte por
cento - a qual é realizada por via marítima através dos portos de Suape ou
Pecem, ambos em estados vizinhos.
Localização Cidade: Parnamirim, RN Área total: 42 mil
m2 Área construída: 16 mil m2 Capacidade da fábrica: 1 mil
toneladas/mês 3.2 Aspectos do planejamento
organizacional
Função administrativa essencial de toda empresa. É ela quem dá o
norte não somente para as ações do futuro, mas também para as do presente. É
necessário então ter muito bem definidos dois pontos fundamentais como descritos
na discussão teórica: a missão da empresa e sua visão no futuro. A
empresa Sacoplast tem como missão definida atuar no setor sucroalcooleiro com
diversificação de negócios que propiciem sinergia e rentabilidade, agregando
valor ao negócio e abordando oportunidades no mercado nacional e internacional
tendo como visão de futuro tornar-se um agente de desenvolvimento econômico e
social buscando a preservação da unidade e da integridade através de
colaboradores motivados, acionistas compensados de forma justa, clientes e
consumidores satisfeitos, dentro de padrões éticos elevados com respeito ao meio
ambiente e à comunidade.
O planejamento do Grupo o qual a Empresa pertence aborda novos
temas estando além das especificações de estratégia para ganhar mercado e dos
planos de expansão, parecendo estar em consonância no que tange as preocupações
de um desenvolvimento sustentável por meio de um sistema de produção que
respeite a obrigação de preservar a base ecológica do desenvolvimento. A
preocupação com o meio ambiente figura entre os tópicos prioritários. Ao mesmo
tempo em que desenvolve ações voltadas para uma produção racional e limpa, o
Grupo mantém programas de preservação e educação ambiental, objetivando a
criação de uma consciência ecológica entre os que trabalham ou moram nas suas
unidades e redondezas.
Em termos operacionais a Empresa vem trabalhado com o intuito de
fidelizar e ao mesmo tempo expandir a sua base de clientes, desenvolvendo
projetos que resultem em aumento da produtividade, redução de custos, melhoria
da qualidade e otimização do atendimento, com o desafio de se manter competitivo
no mercado global.
3.3 Aspectos da política de controle
organizacional
As iniciativas nesse sentido visam o incentivo para o
desenvolvimento de competências desde a diretoria até o controle do produto
final nas unidades industriais.
Todas as empresas do Grupo têm em curso programas de qualidade,
sendo que a Empresa em questão já possui certificação ISO 9000/2000 que impõe
uma série de normas a serem seguidas pelas empresas que as possui para fornecer
uma estrutura na qual um Sistema de Gestão da Qualidade pode ser efetivamente
baseado. Dentre as normas destacamos:
• Responsabilidade da administração: requer que a política de
qualidade seja definida, documentada, comunicada, implementada e mantida. Além
disto, requer que se designe um representante da administração para coordenar e
controlar o sistema da qualidade; • Controle de projetos e processos:
todas as atividades referentes a projetos (planejamento, métodos para revisão,
mudanças, verificações, etc.) e processos (procedimento, normas etc) devem ser
documentadas; • Produtos fornecidos pelo cliente: deve-se assegurar que
estes produtos sejam adequados ao uso; • Auditorias internas da
qualidade: deve-se implantar um sistema de avaliação do programa da
qualidade; • Controle de produto não-conforme: requer procedimentos para
assegurar que o produto não conforme aos requisitos especificados é impedido de
ser utilizado inadvertidamente. • Treinamento: devem ser estabelecidos
programas de treinamento para manter, atualizar e ampliar os conhecimentos e as
habilidades dos funcionários.
A iniciativa em se adotar tais padrões é resultado de uma cultura
de produção otimizada, que sempre foi difundida em todas a unidades do Grupo a
qual a empresa pertence.
A maior parte dos treinamentos da empresa é realizada por
especialistas contratados para ministrá-los. Em alguns deles acontece a formação
de multiplicadores que, após o curso, repassam os conhecimentos para os demais
empregados. O mapeamento das necessidades e a realização de cursos e
treinamentos são feitos de forma autônoma em cada unidade.
A empresa também já passou pelo treinamento 5S (Cinco Esses), pelo
APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), que viabiliza a adoção
de boas práticas de fabricação, e pelo CCQ (Círculos de Controle de Qualidade),
voltado para o produto final. A Manutenção Produtiva Total (TPM) é utilizada na
área Agrícola.
Há também a existência de uma forte política organizacional
voltada para o treinamento de pessoal, cujo principal foco é o desenvolvimento
da liderança e das boas práticas de chefia. Os treinamentos técnicos, com cunho
exclusivamente operacional na área técnica, obedecem às necessidades
características a cada atividade e unidade do Grupo. Na área administrativa são
dirigidas ações a supervisores, gerentes e diretores, onde se identificam
competências e carências específicas para que se possa, a partir desses
resultados, elaborar um Programa de Desenvolvimento Individual.
Como se pode observar, o rigoroso controle do gerenciamento da
empresa serve como instrumento para o seu desenvolvimento por meio do
estabelecimento dos padrões de desempenho (avaliação da conformidade), dos
registros de processos e resultados alcançados (pontos de controle), da
avaliação dos resultados e estabelecimento das medidas corretivas necessárias.
Isso incrementa a sua posição no mercado interno e externo, o que garante também
para o lado da demanda uma maior proteção dos serviços e produtos que lhes são
ofertados o que estimula no mercado a justa concorrência, elevação de padrões
éticos, e a melhoria contínua dos padrões de qualidade aplicados pelas
empresas.
3.4 Aspectos da organização: políticas de relacionamento e
estrutura de tecnologia
É muito importante para uma empresa ter claramente uma política de
relacionamento bem definida que envolva todas as suas atividades e seus
participantes, uma política que tenha como base os princípios éticos.
Confiabilidade, responsabilidade e respeito são as novas exigências de uma
sociedade cada vez mais consciente dos seus direitos que levam uma empresa a
manter a competitividade nas suas negociações.
A Empresa tem o respeito como guia de todas as relações que mantém
com a comunidade internacional e nacional, com seus clientes, fornecedores,
parceiros e colaboradores, baseando os seus compromissos em ações que preservem
o bom relacionamento com acionistas, clientes, cadeia de fornecedores,
comunidade financeira e especialmente seus colaboradores – grandes responsáveis
pelo que o Grupo representa hoje.
As estratégias de relacionamento com os clientes no mercado
interno se diferenciam de acordo com o público-alvo do produto, mantendo-se
sempre a mesma qualidade e exclusividade no atendimento. Para atender aos mais
exigentes mercados mundiais, a Empresa dispõe de produtos de qualidade e
certificados reconhecidos internacionalmente e desenvolve um trabalho de
relacionamento com empresas idôneas e de credibilidade no mercado.
Com relação a sua estrutura tecnológica, desde o escritório
central até as unidades produtivas a informática está presente. Para as empresas
do novo milênio isto é fundamental, um aspecto obrigatório para melhor gerenciar
e tornar seguras informações e o processo produtivo. Assim, com o objetivo de
fornecer informações comerciais e financeiras aos fornecedores e clientes, o
grupo ao qual a Empresa pertence implementou a sua Extranet de Vendas, que
permite a centralização e a consulta dos pedidos, substituindo as solicitações
via fax. O RH de todo o grupo a qual a Empresa pertence também é dotado de um
sistema tecnológico que ajuda no controle e centralização de informações de
funcionários.
3.5 Aspectos da direção
De acordo com Silveira (2002), a discussão acerca da Governança
Corporativa “envolve a criação de mecanismos que assegurem que as decisões
corporativas serão tomadas no melhor interesse dos investidores, de forma a
maximizar a probabilidade dos fornecedores de recursos obterem para si o retorno
sobre seus investimentos”. Conforme o autor, a construção de mecanismos internos
passa pela formulação de um conselho de administração, de um sistema de
remuneração e estrutura de propriedade (posse de ações pelos gestores e
conselheiros). Já os mecanismos externos podem ser implementados pela análise de
mercados de aquisição, mercado de trabalho e relatórios contábeis
periódicos.
A prática da Governança Corporativa na empresa em estudo acontece
por meio do estabelecimento de técnicas modernas de relacionamento entre as
várias esferas da administração, entre gestores e acionistas como também entre
estes e ele. Essa característica permite que se preservem os interesses dos
envolvidos e estimula iniciativas como acordo prévio entre os sócios, formação
de holdings familiares, presença permanente de auditoria externa e atuação forte
do Conselho de Administração, entre outras. A Empresa considera que o Sistema de
Governança Corporativa adotada pelo grupo a qual pertence é composto de práticas
alinhadas com os melhores padrões brasileiros e internacionais, possibilitando a
separação entre a propriedade e a gestão empresarial.
A implementação desses métodos significa a utilização de modelos
de conduta superiores aos exigidos pela lei e/ou órgãos reguladores de mercado
por parte de todas as empresas do Grupo na relação entre seus acionistas.
Todos esses procedimentos de acordo com a literatura sobre a
Governança Corporativa visam atender às suas características que são:
participação (eqüidade), estado de direito (estrutura legal amparada na lei),
transparência (decisões tomadas e sua fiscalização são feitas através de regras
e regulamentos conhecidos), responsabilidade, orientações por consenso e
efetividade e eficiência (resultados que vão ao encontro das necessidades e
melhor utilização dos recursos disponíveis para as operações).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar das limitações do caso apresentado, é perfeitamente
observável a aplicação da teoria de Fayol sobre as quatro funções
administrativas: planejamento, controle, organização e direção na administração
contemporânea. Cabe aqui ressaltar que a empresa escolhida e apresentada é um
caso particular, ou seja, não significa que em todas as organizações a teoria de
Fayol deva ser tratada de forma rígida e absoluta como aqui apresentada. O
próprio Fayol no desenvolver de seu estudo chamou a atenção para este fato,
sendo necessário que em cada caso deva conter adaptações de acordo com o
ambiente e segmento que a organização esteja contida.
Por último, pretende-se deixar aqui uma proposta de continuidade
deste estudo em outras organizações e segmentos para que futuros gestores possam
melhor aplicar as estratégias da teoria de Fayol na prática de sua administração
buscando a contínua eficiência e eficácia que permita um melhor posicionamento
no mercado empresarial.
REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2. ed. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2004.
CHIAVENATO, Idalberto. Teoria geral da administração.
MAXIMIANO, Antonio César Amaru. Teoria geral da administração: da
revolução urbana à revolução digital. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2005.
MCGREGOR, Douglas. O lado humano da empresa. 3. ed. São Paulo:
Martins Fontes, 1999.
MONTANA, Patrick J. CHARNOV, Bruce H. Administração. São Paulo:
Saraiva, 2000.
PORTER, Michael E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um
desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1989.
SILVEIRA, Alexandre Di Miceli da. Governança corporativa,
desempenho e valor da empresa no Brasil. 2002. 165 f. Dissertação (mestrado em
administração) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.
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