As reuniões eficazes começam muito antes do dia e hora previstos. Para que
sejam bem sucedidas começa-se pelo propósito e conteúdo. A primeira questão que
se deve ter resposta é: “preciso realmente fazer esta reunião?”. O assunto a ser
discutido não pode ser tratado de outra forma? Se a reunião não é sua, você deve
se perguntar: “Será que preciso mesmo participar?”.
Um dos principais elementos para se determinar a produtividade nas
organizações é discutir se a reunião é realmente necessária. Em seguida, é
preciso avaliar se a sua presença é importante. Voltemos ao primeiro ponto. É
uma atitude freqüente nas organizações quando acontece qualquer impasse ou
dúvida dizer “o melhor é fazermos uma reunião”. Pare imediatamente. Não leve a
idéia adiante. Faça uma rápida reflexão. Será que o assunto merece uma discussão
ou podemos fazer uma rápida consulta a alguns dos possíveis envolvidos? Usando
telefone, e-mail, uma conversa de corredor, uma visita rápida ao outro
departamento ou mesa, pode-se tomar uma decisão. É importante lembrar também
que, a decisão pode estar entre as suas atribuições – portanto, cabe a você
buscar mais dados para se posicionar e decidir. Não é o caso de transferir
responsabilidades para um grupo.
Se você foi convocado para participar de uma reunião, verifique qual é a
necessidade de sua presença. Se por exemplo, terá um papel de ouvinte ou, existe
na sua área alguém com melhores informações do que você, não pense duas vezes:
delegue! A pessoa certa contribui mais do que você poderia fazer. É muito comum
também, os superiores hierárquicos participarem de inúmeras reuniões, e, assim
centralizar as informações de sua área e, depois, fazer uma reunião com seus
subordinados para transmitir as decisões e necessidades. São situações como
estas que geram trabalhos imprevistos e que obrigam as pessoas trabalharem até
mais tarde quando não previam. Muitas vezes, tais informações são
incompletas e, diante das dúvidas os subordinados precisam se reunir para
esclarecê-las. Outras vezes, o superior prevendo dificuldades leva o
subordinado, excepcionalmente, à reunião para quando o assunto for tratado este
possa dar subsídios à posição da área (algumas vezes o subordinado fala para o
superior que transmite ao grupo reunido). Se houver um voto de confiança e, mais
uma vez houver delegação tudo se resolve.
Se a sua presença não é necessária ou importante considere a possibilidade de
não participar da reunião. Alguns participantes são convidados a fazer parte de
uma reunião apenas para estar informado sobre as decisões. Neste caso, comunique
ao solicitante da reunião que o mantenha informado por meio das atas do grupo.
Todas estas ações contribuem para aumentar a produtividade e, no mínimo, a
disponibilidade de tempo.
Ao analisar as reuniões que fazem parte de sua agenda, pode-se descobrir que
participamos de algumas reuniões equivocadas. Algumas vezes com a finalidade de
manter o departamento / área representada em algum assunto dito importante na
organização; outras vezes, participamos porque historicamente sempre teve um
representante do departamento / área, mas uma evolução do assunto vem
acontecendo e, a participação tem cada vez menos importância; outros ainda,
porque havia necessidade do representante, mas tais pontos já não são mais
relevantes; há aquelas reuniões regulares que foram instituídas em algum momento
crítico na organização e, a sua freqüência continua mantida atualmente, ainda
que os problemas tenham sido reduzidos; também existem aqueles superiores que
acreditam que reunir todos os subordinados é a melhor opção para mantê-los a par
do que acontece na área e na empresa; e, aqueles que entendem que estão
promovendo um trabalho em grupo mantendo todos juntos.
Após considerar todos estes fatores que estabelecem a realização ou não das
reuniões, resolvê-los, a organização pode priorizar outro fator relevante: a
pauta da reunião. Toda reunião precisa de uma pauta que seja de conhecimento de
todos com antecedência. O objetivo é permitir que os participantes possam estar
preparados para a reunião e, contribuir de maneira adequada. Isto maximiza a
reunião, uma vez que auxilia na determinação de quem deve participar, permite
priorizar os temas / assuntos que são mais importantes, reduz o tempo dedicado
às justificativas, faz com que os participantes tenham opiniões, dúvidas e
sugestões previamente analisados e/ou discutidos com a área que representam.
Também agiliza os aspectos administrativos (onde, quando, como, intervalos,
duração), auxilia na definição do modelo de reunião e do método de decisão.
As reuniões eficazes também são aquelas que mantêm um equilíbrio entre o
tempo disponível e a prioridade dos assuntos. Não há necessidade de se discutir
todos os assuntos numa única sessão. Pode haver em relação a alguns temas. Eleja
as prioridades e vá discutindo em sucessivas reuniões até que se esgotem.
Técnicas como Diagrama de Pareto e Priorização de Problemas (GUTD) podem ser
úteis. Decida e use a que lhe for melhor. Considere sempre os objetivos da
reunião para estabelecer a seqüência adequada.
Reuniões ineficazes são aquelas que, também, discutem assuntos paralelos ao
tema / assunto. Aproveita-se a oportunidade dos presentes a reunião e
acrescenta-se, a qualquer momento um novo assunto, um problema recente, um fato
novo, o jogo de futebol, interrompendo o planejamento estabelecido na agenda. Em
geral isto ocorre em reuniões cuja expectativa de duração é muito longa.
As reuniões eficazes são aquelas cujo objetivo é claro e bem definido. De
nada adianta uma reunião para se iniciar um planejamento, reduzir custos,
definir necessidades de treinamento, melhorar algo. Se você mantiver estes
objetivos em termos vagos, a sua reunião também o será. É preciso que se
estabeleçam objetivos e limites (bounderies). Por exemplo, reduzir os custos da
peça XYZ em 10% nos próximos três meses. Ou aumentar a produtividade das
reuniões em 20% nos próximos dois meses. Esta postura ajuda a criar um foco. As
pessoas sabem aonde chegar. É possível saber, o tempo todo, se o caminho é
correto.
As reuniões eficazes também permitem ao participante prever o seu próximo
compromisso. Elas possuem hora para iniciar, hora para cada assunto relevante,
hora para terminar. Por isto que, o cronometrista exerce um papel-chave ao
assessorar o facilitador. Acrescente-se ao planejamento a escolha adequada de um
local para a reunião. Sala pequena para grandes grupos, pouca iluminação,
cadeiras desconfortáveis, interrupções de todo tipo são fatores que comprometem
o tempo e prejudicam as reuniões.