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O Líder Mediador

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Gestão

Liderança
28/08/2007
O Líder Mediador
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Tragédias e acidentes são acontecimentos terríveis, mas servem para nos dar valiosos alertas e lições. Um dos mais recentes infortúnios foi um incêndio devastador que destruiu  noventa por cento da cobertura florestal próxima a Belo Horizonte. Os bombeiros pouco puderam fazer, apesar de seu dedicado empenho em debelar as chamas. Foi uma perda inestimável. O paredão da serra do Curral, paisagem vista de praticamente todos os pontos da Grande Belo Horizonte e cartão-postal da cidade, se transformou em cinzas. O verde deixou de existir e o cheiro da natureza foi substituído pelo de queimado.

Traçando um paralelo, todos os conflitos humanos, assim como os incêndios, começam com uma pequena faísca de fogo, que se não for apagada, vai se alastrando cada vez mais até atingir um nível de destruição incontrolável. Atualmente, estamos atravessando uma fase de divergências generalizadas em todos os setores da vida, entre povos e nações, dentro de cada estado ou organização, e até no seio das famílias. Basta a interação de duas pessoas para surgirem confrontos. É por isso que devemos estar alertas e vigilantes para evitarmos que pequenas centelhas de discórdia surjam ou que se alastrem sem controle. Se cada pequeno atrito é tratado com a devida atenção, fatalmente  ocorrerá o entendimento. Mas se ao invés disso ele for realimentado, poderá desencadear agressões em progressão crescente. Na fase inicial são facilmente debeláveis, mas se persistirem, acabam reduzindo a cooperação, promovem a concorrência predatória, os ataques mútuos, a desunião, e a destruição.

A inabilidade em solucionar os problemas assim que eles surgem ficou evidenciada pela crise no setor aéreo brasileiro, cuja culminância foi o lamentável acidente no aeroporto de Congonhas.  O conflito entre as partes não recebeu tratamento adequado, o que acarretou, além da confrontação aberta, muitas dificuldades e sofrimentos para a população, sem que fosse encontrado o caminho para a volta à normalidade. O setor aéreo precisa de muitos reparos, desde o refinamento da manutenção preventiva, da segurança dos vôos e sua credibilidade, até a ampliação do exíguo espaço entre assentos. Agora o novo gestor, o ministro Nelson Jobim,  empenha-se  na eliminação dos conflitos, esperemos que nessa sua nobre missão, consiga dialogar com todas as partes envolvidas e alcance sucesso.

Liderar entre conflitos significa agir não apenas em prol de seus próprios interesses ou dos interesses do outro, mas sim considerar o todo: a organização inteira, a sociedade em geral, e a própria humanidade. Os líderes não podem mais se limitar a dar ordens e ficar esperando que os outros as cumpram. Para alcançar um resultado adequado para todos, temos de estar abertos ao diálogo e a entender as necessidades de todos os envolvidos. Cabe aos líderes tomar decisões, mas a negociação tornou-se primordial para que eles possam optar pelas medidas que de fato trarão benefícios. O mundo precisa de Lideranças aptas para exercer a conciliação.

Conflitos, sejam amenos ou acalorados, sempre trazem conseqüências destrutivas se conduzidos de maneira inadequada. Eles provocam ineficiência crônica nas organizações, divergências nas comunidades e tumultos de um modo geral. O desafio de muitos líderes é lidar com as diferenças em suas próprias organizações. Mark Gerzon, autor do livro “Liderando pelo conflito” (Editora Campus),  alerta sobre a necessidade de um modelo de liderança que coloque as divergências no centro. A liderança que ultrapassa os conflitos envolve o enfrentamento honesto e criativo das diferenças, além de mobilizar os envolvidos na busca de soluções originais que são tomadas em conjunto e, com isso, é possível  transformar sérios embates em oportunidades valiosas de colaboração e inovação.

Conflitos podem gerar ineficiência ou paralisia se todos não trabalharem pelo mesmo objetivo. Nesse sentido, o líder deve se tornar o grande mediador. O velho paradigma gerencial dos administradores clássicos de dar ordem de cima para baixo está se exaurindo, pois esse tipo de decisão mostra-se cada vez menos eficaz. Um outro modelo de liderança que oferece perigo é o que usa o medo como alavanca para permanência no poder. Todos nós já vimos as conseqüências de um conflito mal administrado: o trabalho se torna menos eficaz e nossas vidas mais estressantes.

Torna-se necessária a disposição de cada indivíduo para a superação e busca de meios positivos. Os conflitos devem nos levar a refletir que somos seres humanos, cidadãos do cosmos, todos cumprindo a mesma finalidade de alcançar a evolução. Então deveremos por em prática o ensinamento milenarmente conhecido de respeito e consideração ao próximo para não lhe causar danos, e que está presente em todas as crenças como auxílio, para que possamos transformar as divergências em exercício e aprendizado de convivência harmoniosa e pacífica.

 
 
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Benedicto Dutra
 
 
  Administrador de empresas, escritor e palestrante
 
 
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