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Classificação ABC para Melhor Gestão do Estoque

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Logística

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10/04/2007
Classificação ABC para Melhor Gestão do Estoque
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A gestão de estoques é fator de grande importância para as empresas, e digo mais, uma boa gestão de estoque faz com que a empresa possa se tornar mais competitiva no mercado em que atua. Para entendermos melhor a importância de um estoque bem administrado vamos dar um exemplo. Em nossas casas procuramos comprar os produtos e materiais necessários para nossa utilização, obedecendo um grau de prioridade, dificilmente compramos produtos caros em grande quantidade, nós os compramos conforme nossa necessidade. Se os produtos e materiais forem de valor menor e tiverem um consumo grande procuramos comprar uma quantidade maior  para termos tranqüilidade, sabendo que o mesmo dificilmente faltará.

Muitas empresas ainda mantêm vários itens em estoque por medo de que os mesmos faltem na sua  linha de produção ou no estoque do centro de distribuição, comprometendo assim a entrega do produto ao cliente. Para manter um controle melhor do estoque e reduzir  seu custo, sem comprometer o nível de atendimento, é importante classificar os itens de acordo com a sua importância relativa no estoque.

Assim surge a importância da classificação do estoque  pela curva ABC, este método é antigo mas muito eficaz e baseia-se  no raciocínio do diagrama de pareto desenvolvido pelo economista italiano Vilfredo Pareto. É através da classificação da curva ABC que conseguimos determinar o grau de importância dos itens, permitindo assim  diferentes níveis de controle com base na importância relativa do item.

A representação gráfica demonstrada na figura a seguir, trás o conceito utilizado pelo cálculo da curva ABC.

 Figura 1: Representação da curva ABC para classificação dos itens

Geralmente os estoques possuem os valores da tabela abaixo, tanto para itens em estoque quanto valor. Lembro que os números abaixo servem como parâmetros para classificarmos a curva ABC.

Tabela 1: Representatividade em percentual da classificação ABC dos itens em estoque

Características da classificação ABC dos itens

Classe A: São os principais itens em estoque de alta prioridade, foco de atenção do gestor de materiais, pois são materiais com maior valor devido à sua importância econômica.Estima-se que 20% dos itens em estoque correspondem a 80% do valor em estoque.

Classe B: Compreendem os itens que ainda são considerados economicamente preciosos, logo após os itens de categoria A, e que recebem cuidados medianos. Estima-se que 30% dos itens em estoque correspondem a 15% do valor em estoque.

Classe C: Não deixam de ser importantes também, pois sua falta pode inviabilizar a continuidade do processo, no entanto o critério estabelece que seu impacto econômico não é dramático, o que possibilita menos esforços. Estima-se que 50% dos itens em estoque correspondem a 5% do valor em estoque.

A partir desta classificação priorizamos aqueles de classe A nas políticas de estoques devido à maior importância econômica. Desta forma, os itens classe A receberão sistematicamente maior atenção do que itens classe C, em termos de análises mais detalhadas, menores estoques, maiores giros, menores lotes de reposição, mais contagem, etc.

Cálculo da curva ABC

Para  realização da classificação ABC  vamos utilizar CMM (Consumo Médio Mensal)  para isto vamos usar a seguinte fórmula;  CMM =  Σ de itens utilizados em 12 meses / 12

As demais informações são referentes aos SKUs (Stock Keeping Units – unidade para armazenamento em estoque) onde utilizamos o respectivo custo de reposição (ou custo médio mensal, padrão ou Standard) que é o critério mais indicado, visto que os valores monetários precisam ser ponderados pelos volumes ou intensidades dos fluxos  correspondentes para homogeneizar uma  mesma base comparativa. Usualmente recomendamos considerar o histórico dos últimos 12 meses, de forma a contemplar eventualmente sazonalidade.
 Na tabela abaixo faremos uma demonstração de como calcular os valores para a classificação da curva ABC.

Dados das colunas:

1- Quantidade de itens (SKUs) que estamos analisando;
2- Código produto, determina a origem do item;
3- Custo unitário do item;
4- CMM nos últimos 12 meses;
5- Multiplicar dos valores da coluna 3 ( Custo unitário em  R$ ) pelos valores da coluna 4 (CMM);
6- Dividir cada valor da coluna 5 pelo valor total da coluna 5 multiplicado por 100, assim encontramos o valor representado em percentual;
7- Numerar o maior valor da coluna 6 na em ordem crescente na coluna 7 (1,2,3,4,...) e assim sucessivamente;
8- Realizar a soma, iniciando pelo maior valor da coluna 6 até o menor valor.

Os itens que contemplarem a soma até chegar próximo do valor de corte contemplarão a classificação ABC. Neste exemplo a classificação  1,2,3 e 4 da coluna 7 contemplam a soma de 79,37%, que neste caso é o ponto de corte da classe A.

Exemplo importante; se encontrarmos  para  A valores entre  79,37 % e  86,30 %, o  mais próximo de 80% será o valor de  79,37%,  então este será o nosso ponto de corte.

Neste nosso exemplo teremos os números relacionados abaixo para a coluna valores:

Tabela 2: Representação do valor em estoque em %

Para calcular o percentual de representatividade dos itens na classificação ABC pegar o total de itens analisados, neste caso são 15 itens, utilizando o fórmula abaixo;

Assim teremos nossa classificação da curva ABC da seguinte forma:

Tabela 3: Representação dos  itens  em estoque em %

O cálculo pode ser realizado de forma manual, utilizando planilhas em excel através de aplicação de fórmulas e de forma automática utilizando um  ERP que geralmente já possui estas funções.

Ocasionalmente, constatamos que alguns analistas de materiais intervêm reclassificando alguns itens conforme sua experiência e julgamento. No entanto, não recomendamos esta prática,  visto que a classificação ABC é, por definição, uma apuração estatística  de fatos, isenta de outros critérios que poderiam viciá-la.

Compete usualmente ao departamento de planejamento e gestão de estoques o processamento e manutenção da curva  ABC sempre atualizada e correta.

No entanto, convém analisar cada caso, pois horizontes menores  podem ser mais relevantes  em algumas situações. Existem empresas que  consideram a previsão de vendas ou consumo, em detrimento ao histórico, no entanto ressaltados que nem sempre as previsões têm tanta precisão quanto os dados efetivamente comprovados. Os valores da tabela abaixo servem como parâmetros para reposição da cobertura de estoque.

 Tabela 4: Período de reposição para cobertura do estoque

Outro ponto importante a ser ressaltado e a questão da incidência, ou seja,  no período de 12 meses quantas vezes o item teve saída. E através da incidência que podemos desenvolver ferramentas logísticas que possibilitem redução do estoque sem comprometer o atendimento do cliente.

Costumo dizer que a classificação ABC é uma forma prática, eficiente e necessária para fazer a gestão de estoque.


Referenciais Bibliográficas:

CHING, Hong Yuh, Gestão e estoques, São Paulo, Editora Atlas, 2001

ARNOLD, J.R. Tony, Administração de Materiais, São Paulo, Editora Atlas, 1999

GASNIER, Daniel Georges,  A dinâmica dos estoques, editara IMAM, 2002

 
 
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Colunista
Amarildo Nogueira
 
 
  Consultor ePalestrante Especialista em Logística e Gestão de Pessoas
 
 
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