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Ferramentas de Mapa Mental e a Incompreensão de Bukowski
Gerenciamento de Projetos

Projetos
26/12/2009
Ferramentas de Mapa Mental e a Incompreensão de Bukowski
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Charles Bukowski, boêmio escritor e poeta alemão, escreveu “Os outros, (...) pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Freqüentemente me sentia inferior.” (Misto-quente)

Será que, assim como retrata a frase de Bukowski, a falta de entendimento de algo pode ser considerada carência de inteligência? Para muitos, não entender uma idéia ou um conceito gera um sentimento de inferioridade consigo mesmo. Mas independente da auto-avaliação, não entender uma idéia no mundo dos negócios pode acarretar na perda de boas oportunidades, tanto para o emissor, quanto para o receptor da informação.

Constantemente líderes perdem chances de promissoras novas empreitadas ao ignorarem idéias de funcionários. E funcionários perdem ótimas chances de promoção e destaque quando não sabem transmitir sua idéia aos seus líderes.

Mas por que tantas idéias são tão incompreendidas? Voltemos à pergunta inicial: será ausência de inteligência? Podemos dizer que na grande maioria das vezes, a resposta é não. Geralmente uma idéia é descartada porque não foi passada de maneira organizada, estruturada e clara. E essa “organização mental” deve ser bilateral: partir do emissor, mas ser captada pelo receptor.

No ramo profissional, uma idéia desorganizada é tão imperceptível quanto uma idéia inexistente. A primeira existe, mas sem estrutura para ser captada e implementada. A segunda não existe, conseqüentemente nunca será captada, tampouco implementada.

Nos últimos anos a automatização tem agravado ainda mais o efeito de idéias sem estrutura e organização. Empresas sem processos definidos adquirem ferramentas onerosas com o intuito de se organizarem, mas acabam percebendo que a aquisição apenas evidenciou a falta dos processos ainda não criados.

As melhores práticas de mercado adotam o preceito: primeiramente crie o processo, para apenas então utilizar uma ferramenta que auxilie na gestão do processo criado. Não por acaso, é muito fácil e lógico concordarmos com essa afirmação. Basta pensarmos em uma ferramenta de automação de processos (BPM - Business Process Modeling). Seria uma ação equivocada implantarmos a ferramenta sem a empresa ter claramente definido seu workflow interno dos processos, pois surgem as questões: “Como irei automatizar algo que não existe nem de maneira manual? Como irei fazer com que a diretoria patrocine a compra de um BPM se ela ainda nem viu em uma apresentação simples no Power Point uma proposta de processo a ser modelado?”.

Apesar da veracidade desses conceitos, há uma ferramenta em especial que foi desenvolvida justamente para criar algo quando ainda não se sabe o que deve ser criado. É possível, inclusive, que não se saiba nem para o que servirá o suposto produto, tampouco o que ou como deve ser o resultado final. E em meio a tanta abstração, a ferramenta auxilia na organização do pensamento, estruturando-o. O emissor elabora e expressa de maneira mais clara sua idéia, enquanto o receptor a captura mais facilmente. Essa ferramenta é chamada de Mapa Mental.

O Mapa Mental pode ser definido de maneira simplória como uma ferramenta de brainstorming, mas vai muito além desta função. Vários softwares de Mapa Mental vão desde a pré-concepção, passando por teste de estresse de idéias, podendo chegar a um cronograma pronto a ser exportado para o Microsoft Project.

De maneira fácil e rápida, formas geométricas representando tópicos e linhas simulando conexões vão sendo montadas, relacionadas e camadas com evolução dinâmica de idéias são segmentadas. No contexto de projeto, o trabalho pode ser evoluído em deliverables e quebrado em atividades. Em várias ferramentas, os prazos e datas podem ser associados ao Mapa Mental através de gráficos de barras.

Sob uma conjuntura distinta a projetos, a ferramenta também auxilia na criação de esboços para gestão estratégica, visões para reuniões, paralelismo comparativo de idéias, hiperlinks de sites, cotidiano pessoal, entre outras possibilidades.

Abaixo alguns exemplos extraídos do site www.easymapper.com.br:


 

Outros exemplos extraídos do site www.mapasmentais.com.br:

 

O Mapa Mental parte de um único centro e evolui para informações relacionadas. O intuito é que a criação do mapa ocorra da mesma forma como uma idéia surge em nosso cérebro: primeiramente pensamos nos conceitos gerais (tópicos), em seguida criamos os relacionamos entre esses conceitos (linhas de conexões) e por último detalhamos e repensamos cada conceito (fragmentação dos tópicos). 

Desde a compreensão das duas teorias da relatividade de Einstein, até o entendimento da sugestão do colega de trabalho ao lado, idéias estruturadas são melhores compreendidas e, por conseqüência, aproveitadas. E um excelente modo de estruturar idéias é através do Mapa Mental, expondo-as de maneira visual, sob uma ordem e segmentada em camadas.

A incompreensão de um pensamento pode estar atrelada à maneira precária como essa informação está sendo passada, e não necessariamente à falta de capacidade de raciocínio ou algo do gênero. 

Desenhar um Mapa Mental talvez não tivesse ajudado Bukowski a entender melhor a vida. Mas poderia tê-lo ajudado a definir uma melhor estratégia na aposta com os cavalos ou na visualização de uma cadeia de ações que diminuísse a ressaca após uma garrafa de whisky.


 
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Últimos Comentários
 

Marcello Leoncini - 29/12/2009 - 14h17m

Realmente a informação "mal informada" pode gerar muito ruído e consequências negativas.

Josilene Lima - 26/12/2009 - 19h35m

A informação é a grande commodity das empresas nos dias de hoje.A necessidade de organizá-las de forma coerente e precisa torna-se vital e tem um impacto decisivo na competitividade.

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