Charles Bukowski, boêmio escritor e poeta alemão, escreveu “Os
outros, (...) pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse
retardado. Era possível. Freqüentemente me sentia inferior.” (Misto-quente)
Será que, assim como retrata a frase de Bukowski, a falta de
entendimento de algo pode ser considerada carência de inteligência? Para muitos,
não entender uma idéia ou um conceito gera um sentimento de inferioridade
consigo mesmo. Mas independente da auto-avaliação, não entender uma idéia no
mundo dos negócios pode acarretar na perda de boas oportunidades, tanto para o
emissor, quanto para o receptor da informação.
Constantemente líderes perdem chances de promissoras novas
empreitadas ao ignorarem idéias de funcionários. E funcionários perdem ótimas
chances de promoção e destaque quando não sabem transmitir sua idéia aos seus
líderes.
Mas por que tantas idéias são tão incompreendidas? Voltemos à
pergunta inicial: será ausência de inteligência? Podemos dizer que na grande
maioria das vezes, a resposta é não. Geralmente uma idéia é descartada porque
não foi passada de maneira organizada, estruturada e clara. E essa “organização
mental” deve ser bilateral: partir do emissor, mas ser captada pelo receptor.
No ramo profissional, uma idéia desorganizada é tão imperceptível
quanto uma idéia inexistente. A primeira existe, mas sem estrutura para ser
captada e implementada. A segunda não existe, conseqüentemente nunca será
captada, tampouco implementada.
Nos últimos anos a automatização tem agravado ainda mais o efeito
de idéias sem estrutura e organização. Empresas sem processos definidos adquirem
ferramentas onerosas com o intuito de se organizarem, mas acabam percebendo que
a aquisição apenas evidenciou a falta dos processos ainda não criados.
As melhores práticas de mercado adotam o preceito: primeiramente
crie o processo, para apenas então utilizar uma ferramenta que auxilie na gestão
do processo criado. Não por acaso, é muito fácil e lógico concordarmos com essa
afirmação. Basta pensarmos em uma ferramenta de automação de processos (BPM -
Business Process Modeling). Seria uma ação equivocada implantarmos a ferramenta
sem a empresa ter claramente definido seu workflow interno dos processos, pois
surgem as questões: “Como irei automatizar algo que não existe nem de maneira
manual? Como irei fazer com que a diretoria patrocine a compra de um BPM se ela
ainda nem viu em uma apresentação simples no Power Point uma proposta de
processo a ser modelado?”.
Apesar da veracidade desses conceitos, há uma ferramenta em
especial que foi desenvolvida justamente para criar algo quando ainda não se
sabe o que deve ser criado. É possível, inclusive, que não se saiba nem para o
que servirá o suposto produto, tampouco o que ou como deve ser o resultado
final. E em meio a tanta abstração, a ferramenta auxilia na organização do
pensamento, estruturando-o. O emissor elabora e expressa de maneira mais clara
sua idéia, enquanto o receptor a captura mais facilmente. Essa ferramenta é
chamada de Mapa Mental.
O Mapa Mental pode ser definido de maneira simplória como uma
ferramenta de brainstorming, mas vai muito além desta função. Vários softwares
de Mapa Mental vão desde a pré-concepção, passando por teste de estresse de
idéias, podendo chegar a um cronograma pronto a ser exportado para o Microsoft
Project.
De maneira fácil e rápida, formas geométricas representando
tópicos e linhas simulando conexões vão sendo montadas, relacionadas e camadas
com evolução dinâmica de idéias são segmentadas. No contexto de projeto, o
trabalho pode ser evoluído em deliverables e quebrado em atividades. Em várias
ferramentas, os prazos e datas podem ser associados ao Mapa Mental através de
gráficos de barras.
Sob uma conjuntura distinta a projetos, a ferramenta também
auxilia na criação de esboços para gestão estratégica, visões para reuniões,
paralelismo comparativo de idéias, hiperlinks de sites, cotidiano pessoal, entre
outras possibilidades.
Abaixo alguns exemplos extraídos do site www.easymapper.com.br:


Outros exemplos extraídos do site www.mapasmentais.com.br:


O Mapa Mental parte de um único centro e evolui para informações
relacionadas. O intuito é que a criação do mapa ocorra da mesma forma como uma
idéia surge em nosso cérebro: primeiramente pensamos nos conceitos gerais
(tópicos), em seguida criamos os relacionamos entre esses conceitos (linhas de
conexões) e por último detalhamos e repensamos cada conceito (fragmentação dos
tópicos).
Desde a compreensão das duas teorias da relatividade de Einstein,
até o entendimento da sugestão do colega de trabalho ao lado, idéias
estruturadas são melhores compreendidas e, por conseqüência, aproveitadas. E um
excelente modo de estruturar idéias é através do Mapa Mental, expondo-as de
maneira visual, sob uma ordem e segmentada em camadas.
A incompreensão de um pensamento pode estar atrelada à maneira
precária como essa informação está sendo passada, e não necessariamente à falta
de capacidade de raciocínio ou algo do gênero.
Desenhar um Mapa Mental talvez não tivesse ajudado Bukowski a
entender melhor a vida. Mas poderia tê-lo ajudado a definir uma melhor
estratégia na aposta com os cavalos ou na visualização de uma cadeia de ações
que diminuísse a ressaca após uma garrafa de whisky.