Um Primeiro Socorro ao Processo / Produto
que está Ficando Doente
Quando você sente dor uma das primeiras providencias é buscar ajuda de um
médico. E, após explicar o sintoma, a primeira providencia dele é medicar você
para que passe a dor. Somente depois é que o doutor irá avaliar o que está
provocando o sintoma. Isto é uma contenção que o doutor fez! Quando o seu
processo ou produto está doente – você ou o cliente identificou um problema – é
preciso entender qual é o sintoma e, aplicar o remédio para parar a dor. A mesma
idéia, fazer uma contenção.
Um dos grandes problemas das atividades de grupos de solução de problemas é
realizar a contenção. Como o próprio nome indica é necessário interromper o
efeito que é observado (o sintoma) e, evitar que o cliente ou próxima operação
possa encontrá-lo. E, é neste ponto que ocorrem os primeiros problemas com a
metodologia. Freqüentemente os envolvidos buscam identificar a causa primeiro
(querem fazer a cirurgia!), e, implementar as primeiras soluções, garantindo
desta forma que o problema não mais ocorrerá. Esta é a intenção. Mas, devido a
urgência da situação é comum que esta ação seja requerida em questão de horas. É
preciso parar a dor, lembre-se.E, tudo acaba em palpites, numa verdadeira
achologia. Um gesto de confiança sem base para fundamentar. Imagine se o doutor
ficasse tentando achar o remédio certo para você...Isto se aprofunda ainda mais
quando algum dos envolvidos supõe ou julga ter mais experiência do que os
demais, no tema ou no produto. E, todo mundo opina, todo mundo acha, todo mundo
faz e dá sua contribuição como julga ser correto. Intoxicam o paciente com tanta
medicação. Com tantas intervenções é provável que alguém realmente acerte. Mas
todos irão requerer os méritos. Todos acreditarão que estão certos. Mas de quem
é verdadeiramente a solução? Somente é possível afirmar que todos irão se
beneficiar do mérito. É importante tomar cuidado para não deixar o paciente em
coma ou matá-lo ainda no pronto-socorro.
A grande pergunta que fica é: será necessário agir desta maneira? É correto
tentar resolver o problema durante a contenção? É possível afirmar que não! A
equipe deve unicamente tomar providencias para que o efeito não mais seja
percebido na operação seguinte ou mesmo no cliente. Isto é possível com seleção,
retrabalho, pequenas intervenções e ajustes em dispositivos ou equipamentos. É a
medicação para parar a dor. É importante que o resultado possa ser observado
imediatamente. O paciente não deve queixar mais de dores. Para isto é necessário
que seja identificado as unidades / lotes que passaram por esta contenção. Na
linguagem da qualidade é o chamado Ponto de Corte ou Break Point. Com isto, o
cliente passa a receber produtos sem o problema e a equipe pode dispor de tempo
para analisar corretamente o problema e identificar a causa para as devidas
providencias. O cliente deve ser informado sobre como verificar a contenção no
seu processo, quando as unidades/lotes chegarem.
Mas o paciente não pode ir embora para casa. O que informar ao cliente? As
equipes acabam por seguir a orientação do líder ou de quem recebe a incumbência
de responder ao cliente. O risco aqui é que se relate, não o que seja correto, o
verdadeiro e, sim o que se acredita ser correto. Muitas vezes o cliente não
consegue entender a contenção e não acredita na solução. Isto tudo porque não
houve uma forma disciplinada de se atuar e realizar a contenção como recurso
documentado. Sem uma boa explicação do que está ocorrendo o paciente não ficará
tranqüilo. O passo seguinte será realizar os exames.
É importante reforçar que uma contenção é realizada sem que a causa esteja
identificada. O foco é sempre interromper o efeito. Pergunte-se sempre: o que
está ocorrendo? Como o cliente ou operação seguinte percebe o problema? Atue
neste momento. Faça com que ele não sinta mais o problema. Este é o desafio
inicial da equipe. É como o médico que após receber a queixa do paciente decide
por receitar a medicação capaz de reduzir a dor. Não significa que tenha
identificado a causa e curado o paciente. Deverá investigar a causa com exames,
observação, e muitas outras ações que lhe permita estabelecer um
diagnóstico.
Com tudo isto, já se pode perceber que a razão da existência da contenção é
proporcionar tempo para que se possa analisar de forma adequada um problema e
verificar a viabilidade das propostas e, assim, implementá-las. O fato é que
muitas empresas têm ou recebem um grande número de reclamações e, por isto,
desejam respondê-las rapidamente. Isto leva a distorção do conceito e da
metodologia. O médico não pode internar todos os pacientes, mas, também não pode
deixar de medicá-los à tempo, por que senão eles voltarão a se queixar.