Um dos assuntos mais discutidos recentemente no mundo do trabalho diz
respeito ao conceito de competência. Entretanto, a descrição exata deste
conceito nem sempre foi unanimidade entre pensadores e gestores, pois como se
trata de uma característica do comportamento humano, não é tão simples assim se
chegar a critérios claros que permitam comparações válidas entre diferentes
pessoas.
Mas gostaria de compartilhar com você uma interessante e atual “leitura”
sobre o assunto, que diz respeito ao conceito de competência como vêm sendo cada
vez mais interpretado pelas empresas de hoje, e que, ao que parece, veio para
ficar. É a concepção expressa a partir do ideograma CHA. Este ideograma “CHA”,
que serve para designar (Conhecimento, Habilidade e Atitude) é uma maneira de se
procurar definir o sentido de competência a partir de um referencial no qual ela
possa ser mensurada, e até mesmo comparada a padrões internacionais. E é um dos
modelos mais atuais com o quais as melhores empresas trabalham hoje para avaliar
seus colaboradores.
O C significa conhecimento sobre um determinado assunto. Diz respeito à
pessoa dominar um determinado Know-how a respeito de algo que tenha valor para
empresa e para ela mesma. É o saber.
O H significa habilidade para produzir resultados com o conhecimento que se
possui. Diz respeito à pessoa conseguir fazer algum uso real do conhecimento que
têm, produzindo algo efetivamente. É o saber fazer.
O A significa atitude assertiva e pró ativa__ iniciativa. Diz respeito ao
indivíduo não esperar as coisas acontecerem ou alguém ter que dar ordens, e
fazer o que percebe que deve ser feito por conta própria. É o querer fazer.
A grande diferença desta visão, é que antes, a noção de competência era
associada principalmente ao domínio de um determinado conhecimento. Logo,
segundo esta noção, alguém que dominava muito bem algum assunto era chamado de
competente. Então quem saía da universidade “sabendo” muita coisa, ou era um
profissional “muito estudioso” era considerada uma pessoa de muita competência.
Era... Porque hoje não é mais.
Segundo a concepção atual, alguém pode ser considerado bastante incompetente
mesmo que domine muito bem um assunto, se não tiver a habilidade e a atitude
para produzir resultados com isso. É o caso daquele leu mil livros, mas não
consegue realizar um trabalho sequer.
Da mesma forma, alguém entusiasmado e cheio de atitude pode ser um grande
incompetente se não dominar os conhecimentos necessários e a habilidade a um bom
desempenho de seu trabalho. É aquele indivíduo cheio de planos e energia, que
acaba se dando mal por não saber muito bem “o que” e “como fazer”.
Como vemos, este é um conceito muito mais “completo”, que envolve__ como já
disse Eugênio Mussak, em seu ótimo livro “Metacompetência” __ saber, saber
fazer, e querer fazer. E é a partir deste novo referencial que tanto as empresas
quanto o mercado de trabalho em geral estarão avaliando a competência dos
profissionais neste início de século.
A maior dificuldade das organizações, no entanto, tem sido em relação à
“atitude”. Isso porque não se pode ensinar alguém a ter atitude através da
transmissão de informações simplesmente. É preciso criar todo um contexto
motivacional que envolva as pessoas e faça com que realmente se empenhem nas
tarefas que tem a realizar. O que se constitui num dos principais desafios da
gestão de pessoas na atualidade.
E quanto ao profissional, considero importante levar em conta que, mesmo que
não esteja (ou não pretenda estar), em alguma empresa, como empregado __ no caso
de preferir atuar como autônomo__ é imprescindível entender este conceito e, na
medida do possível, balizar sua atuação em relação a ele.
Tenha em mente que você apenas será competente em alguma coisa a partir do
momento em que dominar bem o conhecimento a respeito dela, for capaz de aplicar
este conhecimento para produzir algum resultado, e principalmente, tiver a
atitude necessária para realmente fazer isso acontecer.
É isso que o mercado busca hoje__ dentro ou fora das empresas.