Diz um ditado popular: “Se continuarmos fazendo o que sempre fizemos, vamos
continuar obtendo o que sempre obtivemos”. Geralmente em tempos de crise, quando
há algum risco, precisamos assumir nossas responsabilidades, ser ágeis, capazes
de comunicar e antecipar os acontecimentos. Crises têm sido uma constante em
todos os âmbitos, por isso não é bom que sejam vistas como catástrofes; mais
adequado seria que a considerássemos como uma purificação ― que, aliás, é o
significado etimológico da palavra crise ― momento de crescimento. A vida é
cheia de altos e baixos, por isso nos períodos bons precisamos nos preparar e
nos guardar para os períodos ruins.
Os trabalhadores precisarão se ver como empresários independentes, ter uma
marca especial: “você”. Terão que “vender” seus serviços, seu trabalho. Mesmo
sendo para um só cliente: seu patrão.
Nesse mundo globalizado, fazemos diversas escolhas, mas precisamos aprender a
nos conhecer, a gerir nossos atos e a nós mesmos. Em breve, muito do que sabemos
hoje não será tão importante. O difícil é saber o que esquecer. Temos que
gerenciar o presente, esquecer as coisas do passado de maneira seletiva e
procurar ter combustível suficiente para o futuro. É importante entender que
atualmente o conhecimento tem “prazo de validade” cada vez menor. Por isso,
precisamos identificar nossas prioridades.
É bom aprender a fazer perguntas, perguntar o que ninguém perguntou e
perguntar as coisas certas. Imagine-se em um deserto com uma lâmpada mágica como
a do Aladim. Você esfrega e aparece o gênio lhe concedendo um pedido. Você mais
que depressa fala: “Quero a melhor mulher do mundo”. Imediatamente aparece a
Madre Tereza de Calcutá. Era isso que você queria? Saiba o que perguntar e o que
falar, caso contrário agüente as conseqüências.
Com o fim da estabilidade, o que temos é um ritmo frenético de mudanças.
Surgiram novos valores como auto-estima e responsabilidade individual. Para ser
o bom profissional precisaremos criar um novo mundo desde já. Aprender com o
passado e esquecer o que não tem importância. Gerenciar o presente e planejar o
futuro. Teremos de ter mais flexibilidade para mudar e muito mais tolerância com
as diferenças que surgirão.
Precisaremos destruir as barreiras erguidas no passado e construir pontes. A
propósito, se alguém quiser aprender a pensar por si mesmo, primeiro precisa ser
intelectualmente curioso. E não se consegue ser assim se não se submeter a uma
certa “zona de desconforto”.
O grande diferencial competitivo será a velocidade de reação da Organização,
e essa depende das pessoas que a compõe. Precisamos ser capazes de mudar
rapidamente o que acontece dentro da Empresa, além de traçar novas estratégias
com precisão e agilidade, mesmo sem ter todos os indicadores necessários.
Precisamos ser intuitivos e não ter medo de correr riscos. São muitas as
informações disponíveis, não temos tempo para esperar o outro se desenvolver. É
como se levantássemos vôo e só depois nos ajustássemos à rota. Podemos dizer que
ou você corre em busca do seu desenvolvimento, ou passará longe das
oportunidades.
Para ter chances de sucesso em tempos de mudanças, precisamos também
perseguir a excelência técnica, demonstrar iniciativa e vontade de aprender,
além de ter fôlego para desenvolver a habilidade de gerenciar projetos. O grande
diferencial desse pacote, no entanto, é juntar a essas competências uma dose de
emoção ― e até de paixão ― no trabalho.
Quando pensamos em enfrentar as pressões do dia-a-dia, sabemos que para nos
manter motivado é preciso gostar do que fazemos. É importante procurar fazer com
que as pessoas percebam que você procura resultados, mas que não funciona como
uma máquina.
Precisamos enxergar o emprego como um meio, e não um fim, encarar o trabalho
como aprendizado, desafio intelectual. Mas, tenha cuidado para não deixar de
fazer aquilo que você mais gosta. Fazer a diferença numa Organização é não se
esconder atrás da mesa de trabalho, mas mostrar seu valor, defender suas idéias,
buscar soluções, fazer o trabalho sempre de maneira excepcional. Só assim
seremos respeitados. E precisamos, também, nos adaptar às transformações
provocadas pela nova forma de gestão.
Embora muita coisa tenha mudado, a necessidade de bons profissionais
permanece constante. Aqueles que tiverem sucesso nessa difícil transformação se
descobrirão em novos papéis que são muito mais recompensadores, tanto pessoal
quanto profissionalmente.