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Percepção da realidade e senso de oportunidade são ingredientes fundamentais
que todo empreendedor precisa ter ao criar a sua empresa. Mas, para mantê-la em
atividade e com sucesso, é preciso acrescentar a essa fórmula uma boa e
constante dose de inovação. Nas pequenas empresas, em particular, as novas
idéias e projetos dependem da visão dos próprios empresários.
O gestor da atualidade, mesmo em se tratando das empresas de pequeno porte,
não pode ficar sonhando e se perder em devaneios. Ele precisa ter determinação e
tomar as ações necessárias, com coragem e com a capacidade de se adaptar
rapidamente às mudanças. Problemas sempre irão ocorrer e, nesses casos,
lamentar-se não leva a lugar algum. A alternativa é voltar a atenção para aquilo
que pode e deve ser feito, após terem sido examinadas todas as possibilidades,
para que, mais tarde, não se perca tempo e energia tentando encontrar
justificativas ou culpados pelos malogros.
A globalização da economia trouxe, como um dos efeitos colaterais, o
nivelamento dos empregos para baixo, reduzindo salários e a complexidade das
tarefas, deixando os consumidores com menos dinheiro disponível. Mesmo assim, o
mercado manteve-se em crescimento devido ao aumento explosivo da população.
Muitas companhias perceberam nisso boas possibilidades de ganho e passaram a
desenvolver e a oferecer produtos mais simples e que pudessem ser vendidos em
grande quantidade e a preço baixo, com pequena margem de lucro. É uma estratégia
bastante empregada na China e, com isso, esse país conseguiu estender suas
fronteiras e conquistar mercados em todos os continentes. No Brasil, já
verificamos esses efeitos.
Em alguns segmentos, as empresas nacionais e, em particular, as de pequeno
porte não conseguem enfrentar essa concorrência acirrada e muitas acabam
fechando as portas, por não perceberem as conseqüências da política oficial para
os juros, apontada por muitos analistas econômicos como exageradamente elevada,
com reflexos no preço do dólar. Por outro lado, observa-se maior movimentação na
economia puxada pelas exportações, embora em sua grande maioria, de commodities
com baixo valor agregado, mas que paulatinamente vem promovendo um aumento da
renda em poder da população.
É justamente nessas situações que deve entrar a criatividade e a capacidade
da empresa de se reinventar, buscando oferecer novos produtos e serviços, e
atuar em nichos de mercado onde não sofra a concorrência das grandes
empresas e nem a dos produtos da China. Trata-se, sem dúvida, de um grande
desafio. Mas, essa é a única opção que surge após décadas de estagnação.
Resolvido isso, o empresário terá que equilibrar as finanças, pois sem isso o
negócio não terá sucesso, nem vida longa. Outro importante passo é saber
selecionar e trabalhar com uma boa equipe de colaboradores. A escolha deve
sempre recair naqueles profissionais que estão interessados em contribuir para o
crescimento da empresa, que possuem garra, energia e tenacidade. O gestor, de
sua parte, também não pode se acomodar e precisa manter a sua equipe estimulada.
Ele também deve manter a vigilância para poder antecipar eventuais problemas que
possam comprometer o desempenho da empresa, tendo sempre a excelência como
objetivo.
Como resultado desses cuidados e esforços, o cliente terá a convicção de que
está lidando com um empresário sério e responsável, que tem uma equipe educada,
atenta e apta para perceber as necessidades dos clientes, buscando as soluções
adequadas. Muitas vezes um possível cliente se afasta por não ter percebido, no
estabelecimento, maior interesse e firme disposição de buscar soluções criativas
e inovadoras.
O pequeno empresário deve estar consciente de que temos no Brasil um grave
problema no sistema de educação, que não oferece aos estudantes o suficiente
preparo, devendo por isso mesmo motivar os colaboradores em torno dos objetivos
a serem alcançados, ajudando-os a crescer. O microempresário, como os demais
seres humanos, também não pode descuidar da saúde, respeitando limites e não
cometendo excessos de nenhuma espécie porque ele é o principal pilar de
sustentação da sua empresa.
Outra recomendação importante: o empresário deve estar sempre muito bem
informado sobre o seu negócio, sobre o dos seus concorrentes e sobre o mercado.
Como aquela atividade é executada em outras cidades e em outros países?
Existem novos equipamentos compatíveis com a sua atividade fim e que poderiam
ser utilizados para melhorar a performance? Existem alternativas para produzir
com a mesma qualidade, com menor custo e sem precisar adquirir equipamentos de
custo elevado? Essas são apenas algumas das perguntas que ele deve se fazer
constantemente. O objetivo principal deverá ser o de manter o negócio sempre
lucrativo, aproveitando as oportunidades de expansão e, com isso, gerar
empregos.
Em nenhuma hipótese deve deixar de ter uma visão e atitude de empreendedor,
no entanto, também precisa ter uma atitude de cidadão, pensando na sua
comunidade e no que ele pode fazer pelo seu bairro, pela sua cidade. Tendo a
capacidade de perceber a realidade como ela é, e fazendo a sua parte, muitos
problemas poderão ser resolvidos, sem a necessidade de ficar dependendo
exclusivamente dos governantes e autoridades constituídas, e ao contrário,
oferecendo subsídios de como devem ser planejadas as cidades e as atividades,
visando o alcance da melhor qualidade de vida.
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