ogerente.com
A Acomodação como Fator de Insucesso Empresarial
Empreendedorismo

Empreendedorismo
16/12/2007
A Acomodação como Fator de Insucesso Empresarial
PUBLICIDADE

O término de mais um ano conduz o empresário invariavelmente à reflexão. Os números obtidos no frio balanço contábil, para quem os analisa, espelham uma realidade que proporciona alegrias para uns, semblantes preocupados para outros e para quem considerou o ano um autêntico pesadelo, alívio por ter se encerrado. Em qual vertente você se encontra?

Perseverança, criatividade, conhecimento do mercado e capacidade de assumir riscos, estão dentre as qualidades que contribuem, indubitavelmente, para o sucesso da empresa.

Conheço pequenos empresários, no entanto, que não querem crescer e o mais estranho: temem o sucesso. O temor está em perder o controle da situação. Em nome da qualidade de vida negam-se a investir e centrar esforços para que o negócio continue prosperando.

Em meu bairro há pequenos comerciantes e prestadores de serviços de todo o gênero e costumo trocar impressões com eles. Não faz muito tempo, conversei com o dono de um pequeno mercadinho, estabelecido no bairro há mais de cinco anos. Seu ponto de atração era o açougue, através do qual atendia a maioria dos bares e restaurantes da região, bem como, os moradores do entorno. Reinava com tranqüilidade, sem medo da concorrência, até que um dia, um empresário com estrutura econômica mais avantajada resolveu instalar-se a menos de 1 km de seu estabelecimento. A princípio o pequeno comerciante deu de ombros, esclarecendo que o bairro não comportava um negócio daquele porte. Em sua visão, acreditava que o novo supermercado muito em breve iria fechar as portas, porque não conseguiria suportar os custos de aluguel e demais despesas. Além do mais, o dono do mercadinho gabava-se de possuir uma clientela fiel, a qual não o abandonaria.

A ninguém é dado o direito de retirar as esperanças de quem quer que seja, mas é ético procurar, ao menos, de forma sutil, despertar a pessoa para que ela inclua em suas análises novos horizontes, diferentes daqueles que tem em vista.

Minhas observações e alertas nesse sentido, no entanto, não foram levadas em consideração. Inaugurado o novo supermercado, presenciei o efeito devastador sobre o pequeno comerciante. A clientela desapareceu como um passe de mágica e apenas o açougue já não era suficiente para gerar os recursos mínimos necessários à sua sobrevivência. Em vão e tardiamente, o pequeno empreendedor tentou efetuar mudanças, porém, de natureza cosmética como pintura externa, novo layout da fachada, dentre outras. Todavia, nada funcionou e ele foi o primeiro a fechar as portas.

Outros pequenos empresários também foram afetados. O novo supermercado possui preços competitivos, inclusive em face de grandes redes e, além de um belo açougue, possui uma modesta padaria e um setor de hortifrúti. Há filas no açougue, na padaria e, principalmente, nos caixas que invadem corredores adentro.

Como conseqüência desse sucesso, uma das três padarias do bairro já encerrou as atividades e as restantes estão intensificando os esforços para minimizar o impacto desse concorrente de peso. O último a cair foi o “sacolão”, um hortifrúti que também reinava no bairro há uns sete anos.

Esse episódio, aparentemente simples, mas de efeitos econômicos relevantes, nos traz algumas lições. A mais relevante delas é dizer não à acomodação.

Os empresários que se encontram satisfeitos com o porte de seu empreendimento e insistem em não crescer, mesmo havendo demanda para esse fim, devem rever esse posicionamento urgentemente. A crença de que seus clientes jamais o abandonarão poderá cair por terra, tão logo um novo concorrente se instale na região. Todo consumidor anseia por novidades, melhores condições de preços e qualidade de produtos e serviços.

Quem entende bem dessa situação de não se acomodar é o mega empresário Bill Gates, dono da Microsoft. Muitos o criticam por ele dominar o mercado. O sistema operacional Windows, sob seu comando, encontra-se presente em 95% dos computadores em todo o mundo. Desde 1998 a empresa vem sendo acusada da prática de concorrência desleal por impedir que empresários menores criem softwares ou ferramentas que de alguma forma possam competir ou conviver com o sistema Windows. Não é sem razão que em setembro de 2007 a Corte Européia confirmou a multa à Microsoft no valor de US$ 1 bilhão por abusar de seu poder de mercado.

Em que pese o comportamento criticável, o fato a ser destacado é que Bill Gates não se acomoda sob nenhum pretexto. A cada nova ameaça ao seu sistema operacional ele o aperfeiçoa inserindo uma nova ferramenta, como uma vacina para anular seus efeitos. Às vezes a vacina é tão fulminante que extermina quem a criou. É lícito promover o aperfeiçoamento no sistema operacional com vistas a torná-lo mais eficaz para não perder mercado, contudo, sem dizimar a concorrência.

O pequeno empresário, sem perder de vista a diretriz ética, deve pensar da mesma forma. Deve estar atento ao que faz seus concorrentes. Não se trata aqui de espionar seus adversários, porquanto se estaria adentrando a um comportamento reprovável. Muito pelo contrário, deve conhecer por intermédio das campanhas publicitárias realizadas por seus competidores, as estratégias para atrair e manter a clientela. Se a pizzaria concorrente entrega uma pizza grátis a cada dez, faça o mesmo ou melhor! Se um supermercado não atende pelo telefone, passe a fazê-lo. Se a papelaria da esquina não oferece produtos elaborados a partir de materiais reciclados, introduza esse diferencial em seu negócio.
 
A acomodação, portanto, não é aceitável em qualquer cenário empresarial e aqui não se trata da visão estreita de ser considerado ganancioso. Na verdade, é uma questão de sobrevivência: crescer para não perecer.

Neste sentido, você, pequeno ou médio empreendedor, procure substituir seus temores por ferramentas de gestão que possam melhor orientá-lo sobre os passos a serem dados. Analise com a devida atenção as mensagens que são transmitidas pelo balanço contábil. Reavalie-se. Não tema as críticas de seus colaboradores, clientes e fornecedores. Tenha coragem para corrigir aquilo que está fora de sintonia. Introduza, pouco a pouco, as vertentes da sustentabilidade em seu negócio; faça disso um diferencial competitivo, porque cedo ou tarde o mercado passará a excluir os empresários que não se preocupam com responsabilidade social, meio ambiente, dentre outros elementos que compõem a sustentabilidade. Expanda a sua consciência para além do lugar comum, tendo a ética como sua aliada em todas as relações.

 
 É preciso ter efetuado o seu Login para comentar.

Escreva seu comentário.

VOLTAR PARA O ÍNDICE DE COLUNAS
 
Publicidade
 
Últimos Comentários
 
VEJA TODOS OS COMENTÁRIOS
 
Colunista
Isaac Andrade
 
 
  Advogado, Palestrante, Consultor em Governança Empresarial
 
 
  18
 
  02
 
  03
 
  Veja o Perfil Completo  
  Outros Artigos de sua autoria  
  Adicionar o Colunista aos Favoritos  
  Escreva para este Colunista  
  Website do Colunista  
  Citações do Colunista  
  Produtos do Colunista  
  Menu Local | Empreendedorismo  
  ARTIGOS

  COLUNAS

  DESTAQUES DE COLUNISTAS

  VíDEOS

  Procurando empregos nesta área?  
  Adicionar Canal aos Favoritos  
 

 
  Empreendedor, O
Ronald Degen

Iniciação empresarial
 






Avantta Consulting Sobre o Gerente Publicidade Fale conosco Politica Mccarthy Comunicação