Para quem já está familiarizado com o artigo do mercadinho e os alertas sobre
a acomodação como fator de insucesso empresarial, eis sua continuação. Para os
demais, o artigo pode ser lido no link a seguir http://www.ogerente.com.br/novo/colunas_ler.php?canal=8&canallocal=29&canalsub2=95&id=1062.
No artigo mencionado, efetuei algumas considerações a partir da realidade do meu
bairro.
O objetivo em efetuar a lembrança é que algo de novo aconteceu por aqui,
merecendo novas reflexões. Ainda mais porque o aparente cenário de calmaria foi
modificado drástica e repentinamente.
A mudança ocorreu no espaço onde antes era ocupado pelo “sacolão”, um
hortifrúti que reinava no bairro há uns sete anos e que não suportou a
concorrência do novo supermercado. Relembrando que, além do “sacolão”, também
fechou as portas um mercado de porte pequeno, bem como uma das três padarias do
bairro, tudo em razão da presença de um competidor mais estruturado.
Passados não mais que cinco meses do fechamento do “sacolão”, surge, no mesmo
local, mais um supermercado a menos de 300 metros do outro. Agora temos dois. E
não pense que se trata de um mercadinho qualquer, é um senhor mercado!
Para se ter uma idéia desse novo concorrente, é importante considerar que em
meu bairro há uma forte presença da comunidade oriental. O que fez o novo
empreendedor? Montou o seu negócio voltado para essa comunidade.
O direcionamento é tão expressivo que o número de itens destinados à
comunidade oriental supera com facilidade a quantidade de produtos semelhantes
oferecidos pelo Extra ou Carrefour, situados nas proximidades de nosso
bairro.
Agora, nesse novo negócio, temos uma peixaria e toda uma gama de produtos
orientais que ninguém sequer pensava existir. Minha esposa há muito me pedia
tofu, mas eu não conseguia encontrar. No novo supermercado é possível escolher
entre três marcas diferentes do produto. E basta colocá-lo na prateleira para
que ele desapareça.
Qual o resultado prático dessa abordagem? Um sucesso infernal! O
estacionamento acanhado verificou-se de imediato ser o primeiro problema para
acomodar os novos clientes. Mas, o empreendedor não perdeu tempo: derrubou o
muro lateral, aumentando sensivelmente a área do estacionamento. Outro ponto
agressivo: o estabelecimento fica aberto até às 22h, de segunda a sábado e no
domingo até às 18h, enquanto o concorrente fecha às 20h, durante a semana e no
domingo vai até às 14h. Como se diz coloquialmente, “o novo mercado está
bombando!”
É certo que o sucesso desse novo empreendedor decorre, preliminarmente, de
uma visão acertada em relação às características do bairro; tanto é verdade que
nenhum de seus concorrentes, possui perfil direcionado à comunidade oriental.
Além disso, tudo o que seus competidores oferecem, ele também oferece e possui
as seguintes vantagens: uma peixaria e a maior área e quantidade de produtos
hortifrúti do bairro, estando presentes itens da cozinha oriental, obviamente,
como gengibre, inhame, entre outros produtos.
Essa é uma das vantagens de não ser um empreendimento absurdamente grande.
Imagine o Extra ou o Carrefour tentando direcionar suas lojas conforme o perfil
dos moradores de um determinado bairro. Impossível! Eles trabalham em larga
escala focando um público bem mais amplo e heterogêneo. Já um mercado de menor
porte pode moldar-se perfeitamente bem às características de uma determinada
região. Os pequenos podem ser bem ágeis e por isso podem oferecer melhores
condições, com o intuito de, por exemplo, personalizar o atendimento e
conseqüentemente, fidelizar a clientela.
E quanto ao outro concorrente? Bom, as coisas não andam nada bem por lá. O
investimento foi muito alto e não houve tempo para recuperá-lo, tampouco para
cativar a clientela, uma vez que o seu reinado durou apenas cinco meses. A saída
mais provável parece ser a guerra de preços.
Diante desse cenário, não há de se falar em acomodação por parte do outro
supermercado. Ele não teve tempo para consolidar coisa alguma. Aliás, ele está
colhendo sua semeadura, pois quando se instalou, proporcionou o fechamento do
“sacolão”, permitindo agora a presença desse concorrente mais aguerrido.
Como se pode perceber, esse é um cenário que exige muita calma e reflexão.
Atitudes impensadas por parte do supermercado, que está sofrendo a perda da
clientela, podem comprometer ainda mais o desempenho do negócio.
Recomenda-se paciência e sensatez. Enquanto isso, nós, os sortudos moradores do
entorno, agradecemos a preferência!