Somos milhões de empreendedores em nosso país e o brasileiro já nasce com
conhecimentos básicos de sobrevivência num país fantástico, rico e cheio de
oportunidades. Em casa o filho desde cedo ouve seus pais falarem de economia,
orçamento e poupança; ao brincar com seus amiguinhos começa a perceber as
diferenças culturais, sociais e financeiras e assim continua durante toda a
vida, ou seja, continuamos lutando pela sobrevivência de formas diferentes e em
proporções diferentes. Tenho andado por todo o sul de Santa Catarina e observo
pessoas migrando de vários cantos do Brasil em busca de uma vida melhor, com
qualidade de vida, segurança, dignidade e isso tem a ver com as muitas
oportunidade de trabalho que nossa região oferece e com a falta de mão de obra
especializada internamente. Além disso, acredito que o que mais influencia para
a escolha de continuar a ser empregado ou abrir seu próprio negócio é chamada
renda familiar necessária para sua manutenção digna.
Conheci alguns casos fantásticos que mostram a veia empreendedora da nossa
população e como exemplo cito um pai de família que perdeu seu emprego na cidade
de Tubarão/SC e que precisava manter a renda para garantir que seus filhos
permanecessem em boas escolas, pagar suas contas, enfim, ter uma vida simples,
mas confortável. Por isso, buscou alternativas no mercado de trabalho, uma
proposta aqui outra ali e nada que atendesse suas necessidades em termos de
salário. Enquanto muitos desistem e pegam qualquer coisa, outros desistem e
ficam desempregados, mas neste caso o nosso amigo reuniu a família e resolveu
fazer salgadinhos e doces envolvendo a esposa e a filha na produção e ele saiu
com o outro filho para as vendas, cada um com uma tarefa dentro desta empreitada
- cuidar das compras e financeiro; higiene, estoques, marketing boca a boca... O
resultado não poderia ser melhor, com três meses de atividades a família já
pensa em ampliar o mix de produtos atendendo a vários pedidos dos clientes;
melhorar o local de produção; comprar mais um freezer e empregar uma sobrinha.
Deu certo, não perderam a dignidade, não perderam a condição de vida honesta,
simples e confortável. É um belo exemplo mostrando claramente que se algo não
funciona de um de um jeito busque alternativas. Um dia um vizinho perguntou se o
líder empreendedor estava feliz e sua resposta veio rápida: “nunca estive tão
feliz na minha vida. Sou dono do meu negócio, toda minha família trabalhando,
dinheiro em caixa e pensando fazer uma pequena viagem para participar de um
curso de aperfeiçoamento”. O vizinho não se conteve e observou que ele estava
trabalhando muito, não tinha mais tempo para o futebol e as festinhas e ele
prontamente respondeu: “Pois é, tinha tudo isso e perdi meu emprego, agora tenho
um trabalho e uma família feliz”.
Meus amigos histórias como estas se vêem todos os dias em todos os cantos do
Brasil, onde na necessidade a gente como em tudo na vida temos duas escolhas:
fazer ou chorar. Às vezes perder o emprego formal não é o fim do mundo, só
depende da sua condição de buscar soluções. Vender salgadinhos e docinhos é
digno como qualquer trabalho principalmente quando se coloca dinheiro em casa. E
você que está lendo este artigo e perdeu seu emprego, vá a luta, busque
alternativas e seja feliz.