Foi numa fria e cinzenta manhã de um sábado de agosto último. Eu acabara de
estacionar o carro de minha mulher – um Fiat Palio – Ano 2005 – em um apertado
espaço daquele supermercado. Não pude evitar que a porta do Fiat batesse na
lateral do outro carro, ao lado: um Land Rover Range 4 x 4, “novinho em folha”.
Disseram-me, depois, que ele custa R$ 240.000,00 ou o preço de duas boas casas!
– Mas, eis que naquele momento sái, de dentro do Land Rover, o motorista: jovem,
porte atlético, cabelo preso com uma tiara, olhar imbecilizado de participante
do Big Brother (como vencer na vida sem fazer força!). Antes, que eu pedisse
desculpas, ele percorreu com os dedos o local “agredido” e constatou que nada
havia de errado. Entretanto, ficou, visivelmente, contrariado. – E fiquei me
perguntando: Será que ele trabalhou tanto para obter aquele veículo? Ou, ganhou
de seu papai?
Não sei ao certo, mas fiquei pensando, em seguida, no Bill Gates: em sua
trajetória, em seu exemplo. Nascido em Seatlle – Washington – em 1955, foi
admitido em Harvard, mas abandonou o Curso de Matemática no terceiro ano para
dedicar-se, somente, ao trabalho. Com 17 anos desenvolveu com Paul Allen um
software para leitura de fitas magnéticas, com informações de tráfego de
veículos, em um chip Intel 8008. Com esse produto, Bill e Paul criaram uma
empresa, a Traf-On-Data. – Mas, os investidores desistiram do negócio quando
descobriram a idade dos donos. Enquanto estudavam em Harvard, os jovens
desenvolveram um interpretador de linguagem Basic para um dos primeiros
computadores. Após um modesto sucesso na comercialização do Altair 8800, Bill e
Paul fundaram a Microsoft.
Em junho de 2008, Bill Gates retirou-se, definitivamente, da Microsoft para
se dedicar, exclusivamente, aos seus projetos filantrópicos. – Em agosto do ano
passado, foi convidado a fazer uma palestra numa High School (escola
básica) em Pittsburgh, Pensilvânia. Chegando lá, tirou do bolso da calça um
papel amarelo e leu o seguinte, em menos de 5 minutos:
1. A vida não é fácil. Acostume-se com isso.
2. O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que
você faça alguma coisa útil por ele antes de sentir-se bem com você mesmo.
3. Se você acha seu professor um grosso, espere até ter um chefe. Ele
não terá pena de você.
4. Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da
sua posição social. Os seus avós têm uma palavra diferente sobre isso: eles
chamam de oportunidade.
5. Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então, não lamente seus
erros. Aprenda com eles!
6. Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora.
Eles só ficaram assim por ter que pagar as suas contas, lavar suas roupas e
ouvir você dizer que eles são ridículos – uns panacas! Então, antes de salvar o
planeta para a próxima geração, conserte os erros da geração de seus pais; tente
deixar arrumado o quarto em que você dorme!
7. Televisão não é vida real. Na vida real as pessoas têm que deixar o
barzinho e ir trabalhar.
8. Seja compreensivo com os CDF’s – aqueles que os demais julgam que são
uns babacas. – Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um
deles.
Bill foi aplaudido por mais de 10 minutos, sem parar. Agradeceu, entrou no
seu Citroen – Ano 2001 e foi embora dirigindo-o. – Sábias palavras! São para
serem pensadas e salvas no disco rígido da vida e da memória dos jovens!