“Como está o ensino do Empreendedorismo nos cursos de graduação e pós -
graduação nas Universidades Brasileiras?”.
Essa foi a pergunta que gerou no primeiro momento a pesquisa junto as 140
maiores Universidades brasileiras cujos principais resultados foram divulgados
no artigo anterior.
Recebi durante estes meses algumas mensagens de leitores que na sua maioria
concordavam com os resultados da pesquisa e algumas que alertaram-me para a
ausência de metodologia científica na elaboração da pesquisa. Fato que devo
deixar novamente claro: busquei apenas aquelas que representavam as maiores em
número de cursos e de universitários matriculados. A base era ter um site e/ou
portal na internet.
Fiz questão de mandar os resultados que consegui às 140 Universidades alvo,
na esperança de receber algum comentário, principalmente daquelas que nada
responderam. As que responderam adequadamente agradeceram e infelizmente as que
não participaram continuaram “mudas e caladas”.
Ao que tudo indica as Universidades de maneira geral não estão dando a devida
atenção ao ensino do empreendedorismo, o que vem de encontro ao comentário de um
leitor de Portugal que afirma, sem conhecer profundamente a realidade
brasileira, que as instituições de ensino superior preferem formar profissionais
que serão empregados ou da iniciativa privada ou da pública.
O colega
português apresentou algumas perguntas interessantes:
- Será que as
Universidades estão interessadas em formar empreendedores? Pessoas que
perguntam, que arriscam, que aceitam desafios? Ou “moldar” profissionais aptos a
seguirem ordens sem contestação?
Não tenho as respostas. Apenas
hipóteses.
Outros comentários realizados acumularam também a questão da falta de atenção
das Universidades na sua forma de comunicação com a sociedade e seu público alvo
nos sites ou portais, esquecem ou demonstram mínima importância a essa forma de
comunicação: a internet.
Apenas um estudante recebeu os dados e os contestou veementemente alegando
que sua faculdade tinha um excelente processo de formação de empreendedores
através da empresas Juniores e que na opinião dele e pelo conhecimento de outras
Universidades eu não poderia tirar conclusões pela ausência de respostas de mais
de 110 Universidades.
As conclusões a que chego pessoalmente demonstram que estamos longe de termos
um processo de educação voltado para o empreendedorismo de maneira geral. Nada
ocorre durante o ciclo básico, muito menos no ensino médio. A minha
esperança terminou com a realidade do ensino superior.
Não há duvidas que muitas faculdades e Universidades encontram-se à frente no
ensino do empreendedorismo, formam empresas juniores, incentivam e apóiam novos
projetos nessa área, mas ainda, parecem ser incipiente para a demanda que o País
necessita.
Há ainda alguns entraves importantes junto aos Órgãos do Governo que
fiscalizam e autorizam os cursos ou a mudança dos programas de ensino
superior. Não é uma justificativa para nada realizar; apenas
desculpas.
Num País onde o desemprego é enorme, onde as exigências das empresas são cada
vez maiores, ensinar a qualquer profissional as bases do empreendedorismo seria
o mínimo a ser exigido. Não é!
Num País onde o sonho de grande parte de profissionais é ser dono de um
negócio, estamos devendo! No plano de negócios da Educação e das Universidades
iniciamos no vermelho.