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Esse negócio de varejo é um eterno reinventar-se, queixa-se Roberto Oliver,
pequeno-grande e corajoso empresário de supermercado em uma grande cidade
brasileira. Explico o pequeno grande. Apesar do porte de suas duas lojas, tem
demonstrado ser um gigante na capacidade de competir com grandes redes locais e
internacionais, incluindo até a maior do mundo nesse ramo, conhecida pela sua
agressividade comercial e pela voracidade com que depreda a concorrência nos
Estados Unidos.
Micro, pequeno, médio, grande, mastodonte. Porte físico nem sempre tem a ver
com eficiência operacional, lucratividade e ambiente inovador. O que vale no
novo mercado não é mais o tamanho do negócio, mas quantidade e qualidade da
massa cinzenta dos seus gestores. Nesse quesito fundamental, a pizzaria da
esquina pode ser proporcionalmente mais criativa do que a Exxon Móbil, que
faturou US$376 bilhões de dólares no ano passado e contabilizou lucro liquido de
US$38 bilhões de dólares.
Enquanto a grande empresa vive o drama da maximização de seus recursos,
gerenciando grandes estruturas e volumes, apertando botões aqui e ali, a pequena
trabalha com recursos limitados e o seu drama é a produção de recursos que
possam garantir, primeiro a sua sobrevivência, depois sonhar em crescer. Nem
botões têm. Se tivesse, eles não responderiam aos apertões. Portanto, não há
outra saída senão ser criativa, ágil, emocionante e principalmente intuitiva. O
mundo virou intangível. Não se trata mais de medir e pesar, mas sim de
diferenciar.
Imaginemos que o nome da empresa desse meu cliente seja SuperBom –
Supermercados de Vizinhança. Pressionado por duas redes gigantes, em vez de
jogar a toalha e vender o negócio – e não faltaram interessados, mas para montar
loja de peças e acessórios -, resolveu transforma-se numa organização pró ativa
e superar os desafios, fase por fase. Pequeno não deve usar as mesmas armas do
grande, descobriu em tempo hábil. A vantagem está nas diferenças, pensou. E
pagou pra ver, viu e venceu.
Investiu, apostou todas as fichas na inovação permanente, entrando numa
corrida sem linha de chegada. Trocou de cor, renovou fachada, modernizou o
interior das lojas. Trocou os equipamentos por novos e de tecnologia mais
avançada. Trouxe de volta padeiro e confeiteiro que tinham se aposentado. Refez
a equipe. Adotou o treinamento contínuo. Missão, propósitos e comprometimento.
Melhorou o atendimento e lançou novos de produtos de fabricação própria na
padaria, confeitaria, rotisseria (comida pronta) e alterou variedade e qualidade
do açougue e dos demais produtos perecíveis.
Contratou um gerente administrativo, delegando a parte financeira e foi para
o coração do negócio, olho no olho dos consumidores, trocando idéias, ouvindo e
compreendendo seus anseios. Passou a atender rapidamente as demandas levantadas.
Seu sistema de gerir e negócio, pelo menos em termos operacionais, é uma espécie
de co-gestão com os clientes, puxando os fornecedores para o seu lado também, a
fim de integrá-los nesse empolgante e inovador jogo.
Prova de que a inovação cabe em todos os tamanhos de empresa. Basta
conscientização para mudar. E mudar de novo, até acertar uma forma diferente de
viver uma empresa. Quando se fala em inovação, as pessoas pensam logo em
tecnologia, instrumentos e aparatos avançados. Imaginam computadores, sistemas
complexos de informação, programas de gestão. Essas são tecnologias físicas que
você pode comprar por aí, estão prontas.
Ambas são fundamentais. As físicas são ferramentas, estrutura, motores,
equipamentos, meios de transporte, computadores, máquinas. As sociais abrangem
conhecimento, liderança pragmática e, sobretudo, a capacidade de gestão e a
forma de se organizar pessoas para colaborar em empreendimentos comuns. Na
medida em que as tecnologias físicas avançam, cada vez mais essencial se tornam
as tecnologias sociais. Assim se processam as riquezas de nações, famílias e
empresas.
Quais os pressupostos para um país ser considerado inovador, questiona
Clemente Nobre, consultor e palestrante de renome nessa área. Segundo ele, a
inovação não depende somente das empresas, porque, enfim, elas são animais
econômicos previsíveis e vão onde o dinheiro está. Havendo um ambiente seguro
que permita a produção de resultados, as organizações promoverão as inovações
que o mercado exigir. A própria concorrência em si já é um grande estímulo à
inovação, quem não se renova, perde. Sabedora dessa máxima, a Coca-Cola lançou a
Coca Zero e recuperou seus lucros.
Por fim, que tipo de ambiente fomenta a inovação? Onde há confiança entre as
pessoas, transparência, conhecimento, equilíbrio e fluidez de informações. Onde
predominam a meritocracia, a reciprocidade, a cidadania e o bom senso.
Emoção e valores humanos enfim.
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