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FMEA (Failure
Mode and Effect Analysis)
Colaborador:
Wilson
Maretti
Responsáveis:
Daniel Capaldo,
Vander Guerrero,
Prof. Henrique Rozenfeld
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responsável(is)
Fontes: Manuais da QS 9000,
CLAUSING, D. (vide informações adicionais)
Definição
A metodologia de Análise do Tipo e
Efeito de Falha, conhecida como FMEA (do inglês
Failure Mode and Effect Analysis), é uma ferramenta
que busca, em princípio, evitar, por meio da análise
das falhas potenciais e propostas de ações de
melhoria, que ocorram falhas no projeto do produto
ou do processo. Este é o objetivo básico desta
técnica, ou seja, detectar falhas antes que se
produza uma peça e/ou produto. Pode-se dizer que,
com sua utilização, se está diminuindo as chances do
produto ou processo falhar, ou seja, estamos
buscando aumentar sua confiabilidade.
Esta dimensão da qualidade, a
confiabilidade, tem se tornado cada vez mais
importante para os consumidores, pois, a falha de um
produto, mesmo que prontamente reparada pelo serviço
de assistência técnica e totalmente coberta por
termos de garantia, causa, no mínimo, uma
insatisfação ao consumidor ao privá-lo do uso do
produto por determinado tempo. Além disso, cada vez
mais são lançados produtos em que determinados tipos
de falhas podem ter consequências drásticas para o
consumidor, tais como aviões e equipamentos
hospitalares nos quais o mal funcionamento pode
significar até mesmo um risco de vida ao usuário.
Apesar de ter sido desenvolvida com
um enfoque no projeto de novos produtos e processos,
a metodologia FMEA, pela sua grande utilidade,
passou a ser aplicada de diversas maneiras. Assim,
ela atualmente é utilizada para diminuir as falhas
de produtos e processos existentes e para diminuir a
probabilidade de falha em processos administrativos.
Tem sido empregada também em aplicações específicas
tais como análises de fontes de risco em engenharia
de segurança e na indústria de alimentos.
A norma
QS 9000
especifica o FMEA como um dos documentos necessários
para um fornecedor submeter uma peça/produto à
aprovação da montadora. Este é um dos principais
motivos pela divulgação desta técnica. Deve-se no
entanto implantar o FMEA em um empresa, visando-se
os seus resultados (vide
importância) e
não simplesmente para atender a uma exigência da
montadora.
Tipos de FMEA
Esta metodologia pode ser aplicada
tanto no desenvolvimento do projeto do produto como
do processo. As etapas e a maneira de realização da
análise são as mesmas, ambas diferenciando-se
somente quanto ao objetivo. Assim as análises FMEA´s
são classificadas em dois tipos:
-
FMEA DE PROCESSO: são
consideradas as falhas no planejamento e
execução do processo, ou seja, o objetivo desta
análise é evitar falhas do processo, tendo como
base as não conformidades do produto com as
especificações do projeto.
Há ainda um terceiro tipo, menos
comum, que é o FMEA de procedimentos
administrativos. Nele analisa-se as falhas
potenciais de cada etapa do processo com o mesmo
objetivo que as análises anteriores, ou seja,
diminuir os riscos de falha.
Aplicação da FMEA
Pode-se aplicar a análise FMEA nas
seguintes situações:
-
para diminuir a probabilidade da
ocorrência de falhas em projetos de novos
produtos ou processos;
-
para diminuir a probabilidade de
falhas potenciais (ou seja, que ainda não tenham
ocorrido) em produtos/processos já em operação;
-
para aumentar a confiabilidade de
produtos ou processos já em operação por meio da
análise das falhas que já ocorreram;
-
para diminuir os riscos de erros
e aumentar a qualidade em procedimentos
administrativos.
Funcionamento Básico
O princípio da metodologia é o mesmo
independente do tipo de FMEA e a aplicação, ou seja,
se é FMEA de produto, processo ou procedimento e se
é aplicado para produtos/processos novos ou já em
operação. A análise consiste basicamente na formação
de um grupo de pessoas que identificam para o
produto/processo em questão suas funções, os tipos
de falhas que podem ocorrer, os efeitos e as
possíveis causas desta falha. Em seguida são
avaliados os riscos de cada causa de falha por meio
de índices e, com base nesta avaliação, são tomadas
as ações necessárias para diminuir estes riscos,
aumentando a confiabilidade do produto/processo.
Para aplicar-se a análise FMEA em um
determinado produto/processo, portanto, forma-se um
grupo de trabalho que irá definir a função ou
característica daquele produto/processo, irá
relacionar todos os tipos de falhas que possam
ocorrer, descrever, para cada tipo de falha suas
possíveis causas e efeitos, relacionar as medidas de
detecção e preveção de falhas que estão sendo, ou já
foram tomadas, e, para cada causa de falha, atribuir
índices para avaliar os riscos e, por meio destes
riscos, discutir medidas de melhoria.
Etapas para a Aplicação
Planejamento
Esta fase é realizada pelo
responsável pela pela aplicação da metodologia e
compreende:
-
descrição dos objetivos e
abrangência da análise: em que identifica-se
qual(ais) produto(s)/processo(s) será(ão)
analisado(s);
-
formação dos grupos de trabalho:
em que define-se os integrantes do grupo, que
deve ser preferencialmente pequeno (entre 4 a 6
pessoas) e multidisciplinar (contando com
pessoas de diversas áreas como qualidade,
desenvolvimento e produção);
-
planejamento das reuniões: as
reuniões devem ser agendadas com antecedência e
com o consentimento de todos os participantes
para evitar paralizações;
-
preparação da documentação (ver
na figura 3 a documentação necessária).
Análise de Falhas em Potencial
Esta fase é realizada pelo grupo de
trabalho que discute e preenche o formulário FMEA de
acordo com os passos que seguem abaixo:
|
1
|
função(ções) e característica(s) do
produto/processo |
|
2
|
tipo(s) de falha(s) potencial(is) para
cada função |
|
3
|
efeito(s) do tipo de falha |
|
4
|
causa(s) possível(eis) da falha |
|
5
|
controles atuais |
Avaliação dos Riscos
Nesta fase são definidos pelo grupo
os índices de severidade (S), ocorrência (O) e
detecção (D) para cada causa de falha, de acordo com
critérios previamente definidos (um exemplo de
critérios que podem ser utilizados é apresentado nas
tabelas abaixo, mas o ideal é que a empresa tenha os
seus próprios critérios adaptados a sua realidade
específica). Depois são calculados os coeficientes
de prioridade de risco (R), por meio da
multiplicação dos outros três índices.
|
Índice
|
Severidade
|
Critério
|
|
1 |
Mínima |
O cliente mal percebe que a falha ocorre |
|
2
3 |
Pequena |
Ligeira deterioração no desempenho com
leve descontentamento do cliente |
|
4
5
6 |
Moderada |
Deterioração significativa no desempenho
de um sistema com descontentamento do
cliente |
|
7
8 |
Alta |
Sistema deixa de funcionar e grande
descontentamento do cliente |
|
9
10 |
Muito Alta |
Idem ao anterior porém afeta a
segurança |
|
Índice
|
Ocorrência
|
Proporção
|
Cpk
|
|
1 |
Remota |
1:1.000.000 |
Cpk > 1,67 |
|
2
3 |
Pequena |
1:20.000
1:4.000 |
Cpk > 1,00 |
|
4
5
6 |
Moderada |
1:1000
1:400
1:80 |
Cpk <1,00 |
|
7
8 |
Alta |
1:40
1:20 |
|
|
9
10 |
Muito Alta |
1:8
1:2 |
|
|
Índice
|
Detecção
|
Critério
|
|
1
2 |
Muito grande |
Certamente será detectado |
|
3
4 |
Grande |
Grande probabilidade de ser detectado |
|
5
6 |
Moderada |
Provavelmente será detectado |
|
7
8 |
Pequena |
Provavelmente não será detectado |
|
9
10 |
Muito pequena |
Certamente não será detectado |
Observações Importantes:
-
quando o grupo estiver avaliando
um índice, os demais não podem ser levados em
conta, ou seja, a avaliação de cada índice é
independente. Por exemplo, se estamos avaliando
o índice de severidade de uma determinada causa
cujo efeito é significativo, não podemos colocar
um valor mais baixo para este índice somente
porque a probabilidade de detecção seja alta.
-
No caso de FMEA de processo
pode-se utilizar os
índices de capabidade
da máquina, (Cpk) para se determinar
o índice de ocorrência.
Melhoria
Nesta fase o grupo, utilizando os
conhecimentos, criatividade e até mesmo outras
técnicas como brainstorming, lista todas as ações
que podem ser realizadas para diminuir os riscos.
Estas medidas podem ser:
-
medidas de prevenção total ao
tipo de falha;
-
medidas de prevenção total de uma
causa de falha;
-
medidas que dificultam a
ocorrência de falhas;
-
medidas que limitem o efeito do
tipo de falha;
-
medidas que aumentam a
probabilidade de detecção do tipo ou da causa de
falha;
Estas medidas são analisadas quanto
a sua viabilidade, sendo então definidas as que
serão implantadas. Uma forma de se fazer o controle
do resultado destas medidas é pelo próprio
formulário FMEA por meio de colunas que onde ficam
registradas as medidas recomendadas pelo grupo,
nome do responsável e prazo, medidas que doram
realmente tomadas e a nova avaliação dos riscos.
Continuidade
O formulário FMEA é um documento
“vivo”, ou seja, uma vez realizada uma análise para
um produto/processo qualquer, esta deve ser revisada
sempre que ocorrerem alterações neste
produto/processo específico. Além disso, mesmo que
não haja alterações deve-se regularmente revisar a
análise confrontando as falhas potenciais imaginadas
pelo grupo com as que realmente vem ocorrendo no
dia-a-dia do processo e uso do produto, de forma a
permitir a incorporação de falhas não previstas,
bem como a reavaliação, com base em dados objetivos,
das falhas já previstas pelo grupo.
Importância
A metodologia FMEA é importante
porque pode proporcionar para a empresa:
-
uma forma sistemática de se
catalogar informações sobre as falhas dos
produtos/processos;
-
melhor conhecimento dos problemas
nos produtos/processos;
-
ações de melhoria no projeto do
produto/processo, baseado em dados e devidamente
monitoradas (melhoria contínua);
-
diminuição de custos por meio da
prevenção de ocorrência de falhas;
-
o benefício de incorporar dentro
da organização a atitude de prevenção de falhas,
a atitude de cooperação e trabalho em equipe e a
preocupação com a satisfação dos clientes;
Integração FMEA de Processo com CAPP
Na confecção do FMEA de processo
deve-se primeiramente levantar e registras todas as
características do processo. Se a empresa estiver
trabalhando com um sistema CAPP, que possua
operações padrão, todas as operações deveriam ser
interfaceadas automaticamente para o FMEA. Assim, o
tempo de obtenção do FMEA seria menor e seira
garantida a consistência com os processos/operações
definidas.
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