|
|
Introdução às
Normas da Série ISO 9000
Colaborador:
Wilson
Maretti
1. Introdução
O objetivo deste texto é dar uma visão geral sobre o
que são as normas ISO série 9000 e também fornecer
ao leitor uma base para a compreensão de textos mais
elaborados e completos sobre as normas ISO 9000.
2. Qualidade
Atualmente a palavra qualidade tem sido muito
utilizada pela sociedade, em conferências, empresas,
propagandas, TV, jornais, etc.
Porém, ao se utilizar o conceito de qualidade, nem
sempre se consegue transmitir ao interlocutor a
idéia de forma clara e, principalmente, com o
significado que desejamos. Isto deve-se ao fato de
haver várias formas de se definir qualidade. Abaixo
estão algumas das definições que se poderia
encontrar:
-
Qualidade subjetiva: “Não sei ao certo o que é
qualidade, mas eu a reconheço quando a vejo”.
-
Qualidade baseada no produto: “O produto possui
algo, que lhe acrescenta valor, que os produtos
similares não possuem”.
-
Qualidade baseada na perfeição: “É fazer a coisa
certa na primeira vez”.
-
Qualidade baseada no valor: “O produto possui a
maior relação custo-benefício”.
-
Qualidade baseada na manufatura: “É a
conformidade às especificações e aos requisitos,
além de não haver nenhum defeito".
-
Qualidade baseada no cliente: “É a adequação ao
uso”; “É a conformidade às exigências do
cliente”.
Qual destas definições é a mais correta ou
importante? Provavelmente todas são. Entretanto, as
duas últimas definições, baseadas no cliente, são as
mais interessantes pois levam em consideração a
opinião de quem vai utilizar o produto.
Este tipo de enfoque, baseado no cliente, fez com
que as empresas olhassem para o mundo exterior e
criassem produtos que as pessoas querem e não
produtos que os engenheiros de projeto (ou outros
responsáveis pelo desenvolvimento de um produto)
achavam que as pessoas queriam.
3. A Evolução do Conceito de Qualidade
No tópico anterior, explorou-se o conceito de
qualidade. Mas de onde surgiu a necessidade de uma
preocupação com a qualidade?
No modo de produção anterior à Revolução Industrial,
o artesão se ocupava de todas as tarefas: desde a
escolha e aquisição da matéria-prima até a fase de
acabamento e entrega do produto. O controle da
qualidade era exercido pelo próprio artesão. As
características do modelo artesanal eram a baixa
produção e o alto padrão de qualidade.
Com o advento da industrialização, surgiu o processo
de multidivisão das tarefas na confecção de um
produto. O controle da qualidade passou às mãos do
mestre industrial, que exercia a supervisão desses
grupos. Com o aumento das escalas de produção e do
número de trabalhadores, o sistema tornou-se
inviável, pois não era possível um só mestre
supervisionar todo o processo. A resposta para o
problema foi a padronização dos produtos. Com a 2a Guerra
Mundial, houve uma grande evolução tecnológica,
acompanhada por uma complexidade técnica de
materiais, processos de fabricação e produtos. Essa
situação ameaçava inviabilizar a inspeção total da
produção.
Surgiu então uma evolução do controle da qualidade:
o controle estatístico, baseado em inspeção por
amostragem e gráficos de controle (timidamente
começava a despontar o conceito de prevenção de
falhas). Entretanto, as ações corretivas
desencadeadas ainda eram de eficiência restrita.
Esta ineficiência das ações corretivas e a acirrada
competição pelo mercado consumidor acabaram
contribuindo significativamente para que se adotasse
um novo enfoque em termos de controle de qualidade,
o Controle da Qualidade Total - CQT (em inglês,
Total Quality Control - TQC, também conhecido por
Total Quality Management - TQM).
Pode-se dizer que o CQT foi um modelo para o sistema
da garantia da qualidade e apresentava certos
aprimoramentos em relação ao sistema anterior
(controle estatístico), tais como:
-
Preocupação com a satisfação do cliente.
-
Conceito de aperfeiçoamento contínuo (os
japoneses diziam que o dia não poderia passar
sem que algum tipo de melhoria fosse feita em
algum lugar na empresa).
-
Envolvimento e participação de todos os
funcionários (desde a alta gerência até o
escalão mais baixo da empresa).
-
Valorização do respeito ao indivíduo.
O CQT é mais do que uma simples utilização de
metodologias, técnicas, sistemas ou ferramentas. O
CQT é uma filosofia organizacional, expressa através
de ações da gerência, de cima para baixo, que
focalizam o processo de organização como um todo e
que buscam a vantagem competitiva a longo prazo,
tendo como armas estratégicas: a qualidade, o
respeito, a participação e a confiança de todos os
funcionários.
A filosofia do CQT teve um grande impacto nas
práticas de engenharia e gerência, o que serviu como
base para a evolução aos atuais sistemas da
qualidade.
Os sistemas da qualidade proporcionam os
instrumentos necessários para assegurar que os
requisitos e atividades especificados sejam
acompanhados e verificados de uma maneira planejada,
sistemática e documentada. Deste modo, estabelecer
um sistema da qualidade não significa aumentar ou
reduzir a qualidade dos serviços ou produtos, mas
sim, aumentar ou reduzir a certeza de que os
requisitos e atividades especificados sejam
cumpridos.
O ponto central nesta evolução do conceito de
qualidade foi a mudança do enfoque tradicional
(baseado no controle da qualidade e na garantia de
qualidade) para o controle de gestão e melhoria de
processos, que garante a produção da qualidade
especificada logo na primeira vez.
No contexto atual a qualidade não se refere mais à
qualidade de um produto ou serviço em particular,
mas à qualidade do processo como um todo, abrangendo
tudo o que ocorre na empresa.
4. A Necessidade de Padronização
Chegou-se ao ponto em que se torna necessário, nos
dias atuais, que as empresas adotem um sistema de
gestão da qualidade, pois a empresa que atua sob um
sistema deste tipo fornece aos seus clientes uma
evidência tangível da sua preocupação com a
qualidade, principalmente no que diz respeito em
manter a qualidade alcançada.
Entretanto, com as atuais tendências de globalização
da economia (queda de barreiras alfandegárias: MCE,
Mercosul, NAFTA), torna-se necessário que clientes e
fornecedores, a nível mundial, usem o mesmo
vocabulário no que diz respeito aos sistemas da
qualidade. Caso contrário ocorreriam problemas do
tipo: uma empresa fornecedora do México possui um
sistema de gestão da qualidade próprio que, além
disto, utiliza um vocabulário diferente do utilizado
pela possível empresa compradora inglesa que tem
conhecimento somente das normas de gestão da
qualidade britânicas BS 5750. Portanto, o cliente
inglês tem de se inteirar do sistema de gestão da
qualidade do fornecedor em questão, o que significa
uma perda de tempo e dinheiro.
Para evitar conflitos desta natureza, foram
emitidas, pela ISO, normas internacionais sobre
sistemas de gestão da qualidade. Mas, antes de se
examinar estas normas, vamos a um breve histórico
sobre a ISO.
5. A ISO
A ISO, cuja sigla significa International
Organization for Standardization, é uma entidade não
governamental criada em 1947 com sede em Genebra -
Suiça. O seu objetivo é promover, no mundo, o
desenvolvimento da normalização e atividades
relacionadas com a intenção de facilitar o
intercâmbio internacional de bens e de serviços e
para desenvolver a cooperação nas esferas
intelectual, científica, tecnológica e de atividade
econômica.
Os membros da ISO (cerca de 90) são os
representantes das entidades máximas de normalização
nos respectivos países como, por exemplo, ANSI (American
National Standards Institute), BSI (British
Standards Institute), DIN (Deutsches Institut für
Normung) e o INMETRO (Instituto Nacional de
Metrologia).
O trabalho técnico da ISO é conduzido por comitês
técnicos (TC’s). O estudo sobre a emissão das normas
da série ISO 9000, por exemplo, foi feito pelo TC
176 durante o período 1983-1986 (no Brasil, o comitê
técnico responsável pelas normas da série NBR-ISO
9000 é o CB 25, da Associação Brasileira de Normas
técnicas - ABNT).
As normas ISO não são de caráter imutável. Elas
devem ser revistas e revisadas ao menos uma vez a
cada cinco anos. No caso específico das normas da
série 9000, inicialmente publicadas em 1987, a
última revisão ocorreu em 1994.
6. ISO Série 9000
A ISO série 9000 compreende um conjunto de cinco
normas (ISO 9000 a ISO 9004). Entretanto, estas
normas, oficializadas em 1987, não podem ser
consideradas normas revolucionárias, pois elas foram
baseadas em normas já existentes, principalmente nas
normas britânicas BS 5750.
Além destas cinco normas, deve-se citar a existência
da ISO 8402 (conceitos e Terminologia da Qualidade),
da ISO 10011 (Diretrizes para a Auditoria de
Sistemas da Qualidade) e de uma série de guias ISO
pertinentes à certificação e registro de sistemas da
qualidade.
As normas ISO 9000 podem ser utilizadas por qualquer
tipo de empresa, seja ela grande ou pequena, de
caráter industrial, prestadora de serviços ou mesmo
uma entidade governamental.
Deve ser enfatizado, entretanto, que as normas ISO
série 9000 são normas que dizem respeito apenas ao
sistema de gestão da qualidade de uma empresa, e não
às especificações dos produtos fabricados por esta
empresa. Ou seja, o fato de um produto ser fabricado
por um processo certificado segundo as normas ISO
9000 não significa que este produto terá maior ou
menor qualidade que um outro similar. Significa
apenas que todos os produtos fabricados segundo este
processo apresentarão as mesmas características e o
mesmo padrão de qualidade.
As normas ISO 9000 não conferem qualidade extra à um
produto (ou serviço), garantem apenas que o produto
(ou serviço) apresentará sempre as mesmas
características.
As normas individuais da série ISO 9000 podem ser
divididas em dois tipos:
-
Diretrizes
para seleção e uso das normas (ISO 9000) e para
a implementação de um sistema de gestão de
qualidade (ISO 9004). Esta última usa frases do
tipo: “O sistema de qualidade deve...”.
-
Normas contratuais
(ISO 9001, ISO 9002, ISO 9003). Chamadas assim
por se tratarem de modelos para contratos entre
fornecedor (que é a empresa em questão) e
cliente. Utilizam frases do tipo: “O fornecedor
deve...”.
É importante salientar que as empresas só podem ser
certificadas em relação às normas contratuais, ou
seja, ISO 9001, ISO 9002 e ISO 9003. Segue uma breve
descrição de cada uma das normas contratuais:
-
ISO
9001:
esta norma é um modelo de garantia da qualidade
que engloba as áreas de projeto/desenvolvimento,
produção, instalação e assistência técnica.
-
ISO
9002:
esta norma é um modelo de garantia da qualidade
que engloba a produção e a instalação.
-
ISO
9003:
esta norma é um modelo de garantia da qualidade
em inspeção e ensaios finais.
Pode-se dizer que a ISO série 9000 é um modelo de
três camadas em que a ISO 9001 engloba a ISO 9002
que, por sua vez, engloba a ISO 9003.
A decisão sobre qual das normas contratuais da série
ISO 9000 utilizar depende da finalidade das
atividades da indústria em questão. A ISO 9002 é a
mais apropriada para a maioria das fábricas baseadas
em processos de manufatura bem estabelecidos. A ISO
9001 por sua vez é mais apropriada para processos
que envolvem atividades de pesquisa e
desenvolvimento. A ISO 9003 engloba somente a
inspeção e ensaios finais e, por isso, tem um valor
limitado. Na prática esta norma não é mais
utilizada.
7. Os Elementos da ISO Série 9000
A série de normas ISO 9000 baseia-se em 20 elementos
ou critérios que englobam vários aspectos da gestão
de qualidade. Apenas a ISO 9001 exige que todos os
20 elementos estejam presentes no sistema da
qualidade. A ISO 9002 faz uso de 18 destes elementos
(não fazem parte desta norma o controle de projeto e
a assistência técnica), enquanto que a ISO 9003
engloba somente 12 estes elementos. Segue uma breve
descrição dos 20 elementos das normas ISO 9000:
-
Responsabilidade da administração:
requer que a política de qualidade seja
definida, documentada, comunicada, implementada
e mantida. Além disto, requer que se designe um
representante da administração para coordenar e
controlar o sistema da qualidade.
-
Sistema da qualidade:
deve ser documentado na forma de uma manual e
implementado.
-
Análise crítica de contratos:
os requisitos contratuais devem estar completos
e bem definidos. A empresa deve assegurar que
tenha todos os recursos necessários para atender
às exigências contratuais.
-
Controle de projeto:
todas as atividades referentes à projetos
(planejamento, métodos para revisão, mudanças,
verificações, etc.) devem ser documentadas.
-
Controle de documentos:
requer procedimentos para controlar a geração,
distribuição, mudança e revisão em todos os
documentos.
-
Aquisição:
deve-se garantir que as matérias-primas atendam
às exigências especificadas. Deve haver
procedimentos para a avaliação de fornecedores.
-
Produtos fornecidos pelo cliente:
deve-se assegurar que estes produtos sejam
adequados ao uso.
-
Identificação e rastreabilidade do produto:
requer a identificação do produto por item,
série ou lote durante todos os estágios da
produção, entrega e instalação.
-
Controle de processos:
requer que todas as fases de processamento de um
produto sejam controladas (por procedimentos,
normas, etc.) e documentados.
-
Inspeção e ensaios:
requer que as matéria-primas sejam inspecionadas
(por procedimentos documentados) antes de sua
utilização.
-
Equipamentos de inspeção, medição e ensaios:
requer procedimentos para a calibração/aferição,
o controle e a manutenção destes equipamentos.
-
Situação da inspeção e ensaios:
deve haver, no produto, algum indicador que
demonstre por quais inspeções e ensaios ele
passou e se foi aprovado ou não.
-
Controle de produto não-conforme:
requer procedimentos para assegurar que o
produto não conforme aos requisitos
especificados é impedido de ser utilizado
inadvertidamente.
-
Ação corretiva:
exige a investigação e análise das causas de
produtos não-conformes e adoção de medidas para
prevenir a reincidência destas
não-conformidades.
-
Manuseio, armazenamento, embalagem e expedição:
requer a existência de procedimentos para o
manuseio, o armazenamento, a embalagem e a
expeição dos produtos.
-
Registros da qualidade:
devem ser mantidos registros da qualidade ao
longo de todo o processo de produção. Estes
devem ser devidamente arquivados e protegidos
contra danos e extravios.
-
Auditorias internas da qualidade:
deve-se implantar um sistema de avaliação do
programa da qualidade.
-
Treinamento:
devem ser estabelecidos programas de treinamento
para manter, atualizar e ampliar os
conhecimentos e as habilidades dos funcionários.
-
Assistência técnica:
requer procedimentos para garantir a assistência
à clientes.
-
Técnicas estatísticas:
devem ser utilizadas técnicas estatísticas
adequadas para verificar a aceitabilidade da
capacidade do processo e as características do
produto.
Analisando estes critérios, nota-se que o ponto
central de um sistema de gestão da qualidade baseada
nas normas ISO 9000 é a apropriada documentação
deste sistema. De fato, as normas podem ser
resumidas em:
Diga o que você faz, faça o que você diz e...
documente tudo!
8. O Sistema de Documentação
O sistema de documentação exigido pode ser
hierarquizado em quatro níveis:
-
O nível I, de abordagem geral, consiste
basicamente no manual da qualidade da empresa.
Este espõe e define, entre outros, a política de
gestão da qualidade, o sistema da qualidade, a
estrutura organizacional e as responsabilidades.
-
O nível II é constituído pelos manuais de
procedimentos. Estes listam todos os
procedimentos usados na empresa e também definem
responsabilidades (quem deve fazer o que e
quando). Estes manuais abrangem todos os
elementos do sistema de qualidade utilizados
pela empresa (análise de contratos, aquisição,
controle de processos, inspeção e ensaios,
etc.).
-
Os documentos de nível III abrangem as
instruções operacionais básicas que identificam
como se deve proceder para o eficaz
funcionamento do sistema. Estas instruções
envolvem métodos de inspeção, cronogramas de
trabalho, especificações, desenhos, instruções
de trabalho, etc.
-
O nível IV consiste nos registros da qualidade,
entre os quais podemos citar os resultados de
inspeções, os registros de aferição, as ordens
de compra, a lista de fornecedores, etc. Estes
registros são as evidências de que as instruções
(nível III) foram seguidas.
A documentação de um sistema de qualidade pode
também ser dividida em dois tipos:
-
Os documentos da qualidade, que descrevem o
processo, ou seja, como os procedimentos devem
ser executados.
-
Os registros da qualidade, que registram os
resultados do processo, evidenciando que a
empresa seguiu as ações descritas nos documentos
da qualidade.
Os documentos da qualidade documentam o processo,
enquanto os registros da qualidade fornecem
evidências de que as instruções contidas nos
documentos da qualidade foram executadas.
9. A Implantação e Certificação
Várias são as vantagens de se implementar um sistema
da gestão de qualidade baseado nas normas ISO 9000.
Entre elas podemos destacar:
-
Aumento da credibilidade da empresa frente ao
mercado consumidor.
-
Aumentar a competitividade do produto ou serviço
no mercado.
-
Evitar e prevenir a ocorrência de deficiências.
-
Evitar riscos comerciais, tais como:
reivindicações de garantia e responsabilidades
pelo produto.
Analisando-se estas vantagens, pode-se imaginar que
o desejo de implantação de um sistema da qualidade
parte da direção da empresa que, desta maneira,
pretende aprimorar o seu processo produtivo. Mas
isto nem sempre é o caso. A grosso modo, podemos
identificar quatro razões que levam uma empresa a
implantar um sistema de gestão da qualidade baseado
nas normas ISO série 9000:
Conscientização da alta administração (“por livre e
espontânea vontade”): a mais eficaz entre todas.
-
Razões contratuais (“por livre e espontânea
pressão”): no fornecimento de produtos/serviços
para outros países, para órgãos/empresas
governamentais e também para um número cada vez
maior de empresas de iniciativa privada;
evidentemente menos eficaz que a anterior. O
tempo para a maturação é maior, mas normalmente
se alcança a conscientização.
-
Competitividade (“ou nos enquadramos ou
quebramos”): embora não tão eficaz quanto a
primeira, consegue-se de um modo geral chegar à
conscientização da alta administração.
-
Modismo (“temos que dançar o que está tocando”):
a menos eficaz de todas, normalmente não se
chega a alcançar o objetivo maior, que é a
conscientização da alta administração e aí,
então, o processo é abandonado no meio do
caminho.
Uma vez expressado o desejo de se adotar um sistema
da qualidade baseado nas normas ISO 9000, a empresa
seguirá uma série de etapas, dentre as quais temos:
-
Definição da política da qualidade e seleção do
modelo de norma mais adequado às propostas da
empresa (ISO 9001, ISO 9002 ou ISO 9003).
-
Análise do sistema da qualidade da empresa (se
existir algum) e determinação de quais as
mudanças que devem ser feitas para adaptá-lo às
exigências das normas ISO 9000.
-
Treinamento e conscientização dos funcionários
diretamente envolvidos com a implementação (ou
modificação) do sistema da qualidade, bem como
dos demais funcionários da empresa.
-
Desenvolvimento e implementação de todos os
procedimentos necessários ao sistema da
qualidade (este é geralmente o ponto mais
demorado durante o processo de implementação). É
importante que, durante o processo de
desenvolvimento de procedimentos, estes sejam
feitos em conjunto com as pessoas que deverão
segui-los.
-
Seleção de um órgão certificador (também
conhecido como órgão registrador). Trata-se de
uma organização independente da empresa, que irá
avaliar se o sistema da qualidade da empresa
está de acordo com as normas ISO 9000. Como
exemplo de órgãos certificadores podemos citar o
Bureau Veritas Quality International (BVQI) e a
Fundação Carlos Alberto Vanzolini (FCAV).
-
Pré-auditoria para avaliar se o sistema da
qualidade implantado está de acordo com os
padrões especificados pelas normas.
-
Eliminação das eventuais não-conformidades (às
normas) detectadas durante o processo de
pré-auditoria.
Auditoria final e certificação.
A maior parte das não-conformidades detectadas
durante as auditorias do sistema da qualidade dizem
respeito à inapropriada documentação do sistema. Por
outro lado, deve-se tomar o cuidado de não exagerar
na quantidade de documentação, correndo o risco de
tornar o sistema da qualidade excessivamente
burocratizado.
A empresa uma vez certificada, deve zelar pela
manutenção deste, pois perder um certificado pode
ser muito mais danoso para uma empresa do que não
te-lo.
O processo de implementação pode durar de alguns
meses a dois anos, dependendo do tamanho da empresa
e, principalmente, da existência de um sistema da
qualidade e do seu grau de desenvolvimento.
Alguns dos órgãos certificadores possuem programas
de consultoria para auxiliar as empresas durante o
processo de implementação. Caso a empresa opte por
um destes programas ela deverá, entretanto, escolher
um outro órgão certificador para avaliar e
certificar o seu sistema da qualidade, pois seria
anti-ético um orgão certificador avaliar e
certificar um sistema da qualidade que ele mesmo
ajudou a implementar.
10. As Auditorias
-
Os sistemas de gestão da qualidade propostos
(baseados nas normas da ISO série 9000) são
avaliados por auditorias. As características
destas auditorias são:
-
Autorizadas pela administração superior.
-
Avaliações de práticas reais, evidentes,
comparadas com requisitos estabelecidos.
-
Têm métodos e objetivos específicos.
-
São programadas com antecedência.
-
São realizadas com prévio conhecimento e na
presença das pessoas cujo trabalho será auditado;
-
Realizadas por pessoal experiente, treinado e
independente da área auditada.
-
Resultados e recomendações são examinados e, em
seguida, acompanhados para verificar o
cumprimento das ações corretivas.
-
Não têm ação punitiva, mas corretiva e de
aprimoramento.
As auditorias podem ser classificadas quanto ao
tipo, à finalidade e à empresa auditada.
Quanto ao tipo temos:
-
Auditoria de adequação: é uma auditoria para
avaliar a documentação do sistema implantado,
comparando-o com os padrões específicados pelas
normas ISO.
-
Auditoria de conformidade: neste tipo de
auditoria o auditor deve procurar a evidência de
que o auditado está trabalhando de acordo com as
instruções documentadas.
Quanto à finalidade temos:
-
Auditoria do sistema: dá ênfase aos aspectos de
documentação e organização do sistema da
qualidade.
-
Auditoria de processo: avalia a execução
(projeto, fabricação, construção, montagem,
etc.) de um processo ou serviço.
-
Auditoria do produto: dá ênfase à reinspeção do
produto pronto e à análise de registros dos
resultados dos ensaios, testes e inspeção.
E, quanto às empresas auditadas, temos:
-
Auditoria interna: é a auditoria realizada sob a
responsabilidade da própria empresa
(organização), onde os auditores devem ser
totalmente independentes do setor/serviço a ser
auditado. A vantagem deste tipo de auditoria é
que os auditores e os auditados sentem-se mais a
vontade para discutir internamente os
resultados.
-
Auditoria externa: é a auditoria realizada sob a
responsabilidade de uma empresa independente da
que está sendo auditada. A vantagem é o caráter
de independência associado à experiência trazida
pelos auditores de outras organizações.
É uma auditoria externa que avalia se uma empresa
(ou processo) está apta a receber o certificado da
série ISO 9000.
A empresa certificada é periodicamente avaliada por
auditorias de acompanhamento (realizadas de 6 em 6
meses). Estas auditorias são feitas para verificar
se a empresa continua atendendo aos requisitos
estabelecidos e verificados em auditorias
anteriores. No caso de a empresa não atender aos
requisitos estabelecidos anteriormente, duas
atitudes podem ser tomadas pelo órgão certificador:
-
Se forem encontradas não-conformidades
razoáveis, é determinado um prazo para uma nova
auditoria.
-
Se forem encontradas não-conformidades graves, a
empresa pode perder o certificado.
11. Os Benefícios da ISO 9000
Alguns dos benefícios trazidos para uma empresa
certificada com relação às normas da série ISO 9000
são:
-
Abertura de novos mercados.
-
Maior conformidade e atendimento às exigências
dos clientes.
-
Menores custos de avaliação e controle.
-
Melhor uso de recursos exitentes.
-
Aumento da lucratividade.
-
Maior integração entre os setores da empresa.
-
Melhores condições para acompanhar e controlar
os processos.
-
Diminuição dos custos de remanufatura.
12. Sumário
As normas ISO 9000 surgiram para criar uma linguagem
comum no que diz respeito à sistemas de gestão da
qualidade. A série ISO 9000 é um conjunto de cinco
normas que podem ser divididas em diretrizes (ISO
9000 e ISO 9004) e normas contratuais (ISO 9001, ISO
9002 e ISO 9003), sendo que uma empresa só pode ser
certificada em relação às normas contratuais.
Estas normas, entretanto, garantem apenas que os
produtos fabricados por um processo certificado
tenham sempre a mesma qualidade. O fato de o
processo ser certificado segundo as normas ISO 9000
não acrescenta qualidade aos produtos.
O ponto chave destas normas é a documentação do
sistema da qualidade. Esta documentação pode ser
dividida nos documentos da qualidade (que descrevem
o processo) e nos registros da qualidade (que
registram os resultados do processo). É também nesta
documentação que são detectadas a maior parte das
não-conformidades às normas.
13. Bibliografia
-
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
- normas NBR-ISO 9000 a NBR-ISO 9004
-
“Normas Técnicas” http://www/hq.rnp.br/pd/normas/main.html
-
“Introduction to Quality Improvement” http://ece.vuse.vanderbilt.edu/es130/quality/iqi1.htm
-
Chau, C. “ISO 9000” http://sss.facsrv.calpoly.edu/~cchau/cwyc_shell.html
-
“The ISO 9000 guide” http://www.ileaf.com/isoguide.html
-
“The 20 ISO 9000 Quality Assurance System
Elements” http://www.cerion.com/iso9000.html
-
“The ISO 9000 pizza” http://www.mgmt14k.com/9kpizza.htm
-
“Management and the Quality Plan” http://www.cris.com/%7EIsogroup/iso9000.html
-
Ishikawa, K., “Controle de Qualidade Total -
à maneira japonesa”, Ed. Campus, 1993
-
Puri, S.C., “ISO 9000 Certificação - Gestão
da Qualidade Total”, Ed. Qualitymark, 1994
-
Rothery, B., "ISO 9000", Ed. Makron Books,
1993
-
Nadkarni, R.A. Anal. Chem. 65, p.
395A (1993)
-
Lofgren, G.Q. Quality Progress 24 (5),
p. 35 (1991)
-
Marquardt, D; Chove, J.; Jensen, K.; Petrick,
K.; Pyle, J.; Strale, D. Quality Progress
24 (5), p. 25 (1991)
-
Buccelli, D.O., "TQM Administração da
Qualidade Total" (apostila), Price
Waterhouse Consulting Group
-
“ISO 9000 - Auditoria”
(apostila), Fundação Carlos Alberto Vanzolini
|