VOCÊ ESTÁ VENDO UMA VERSÃO ANTIGA DO PORTAL O GERENTE

CLIQUE AQUI PARA CONHECER O NOVO PORTAL

 

 

Inicio

CANAIS ------------

Carreira

Comércio Exterior

Empreendedorismo

Ética e Resp. Social

Gestão

Logística

Marketing

Produção

Produtividade

Projetos

Qualidade

Recursos Humanos

SERVIÇOS ----------

Feeds RSS / Blogs

Pesquisas

Promoções

SITE ----------------

Anuncie

Busca

Contato

Enquetes

Newsletter

Novidades

Parcerias

Participe

 

Livro Recomendado 

Execução - A Disciplina para Atingir Resultados

 

 Inicio > Recursos Humanos > Textos

 

O Drama do Desemprego em "O Corte"


 

Dr. Tadeu Alvarenga é Consultor de Empresas e Palestrante nas Áreas de Atendimento ao Cliente, Vendas e Liderança. Pode ser contatado pelo e-mail contato@tadeualvarenga.com ou pelo site www.tadeualvarenga.com

Magnificamente dirigido por Costa-Gavras, "O Corte" (2005) – no original, "Le Couperet" – retrata, de forma absolutamente precisa e impiedosa, o impacto do Desemprego sobre a vida emocional, familiar e social de um ex-Executivo da indústria de papel, o Sr. Bruno Davert – brilhantemente interpretado pelo ator José Garcia.

O que mais impressiona em "O Corte" é como ele consegue retratar perfeitamente o drama hoje vivido por milhões de pessoas no mundo, que é o do Desemprego globalizado e desesperançado. Está tudo ali: a gradual perda da identidade e da auto-estima, a corrosão dos valores, o efeito desagregador na estrutura familiar, a preocupação em manter as "aparências" e o lento e inexorável resvalar dos personagens para a insanidade e para o desespero. Mais ainda, ao longo do filme, por diversos momentos, somos instigados a refletir sobre questões absolutamente presentes nos dias de hoje, como, por exemplo, o fim do contrato de trabalho, a impessoalidade dos processos seletivos, e a atmosfera de altíssima competitividade reinante tanto dentro como fora das organizações modernas.

Logo nos primeiros minutos somos apresentados ao pano de fundo dentro do qual se desenrola a trama: após 15 anos de contribuições produtivas para a Empresa onde trabalhava, o personagem Bruno Davert é demitido junto com outros seiscentos funcionários durante uma reestruturação da companhia – o primeiro dos "Cortes" a que o título se refere. Após dois anos e meio de desemprego, nos quais ele cumpre, devotadamente, o ritual de enviar currículos e comparecer a entrevistas aparentemente sem-fim, ele tem uma idéia no mínimo macabra: eliminar os concorrentes com currículo tão bom ou melhor que o seu, "facilitando", desta forma bem pouco usual, a sua contratação no cargo tão sonhado. O que acontece daí por diante é uma seqüência de acontecimentos que oscilam entre o drama e o suspense, com pitadas ocasionais de humor negro que servem apenas para aprofundar ainda mais o clima de tensão presente em todo o filme.

Uma característica singular deste filme e que, com toda a certeza, impressionará o espectador mais atento, é o incrível cuidado com que o Diretor coloca, aqui e ali, referências, por vezes bastante sutis, àquilo que se passa no contexto psicológico e social dos personagens. Os sinais de decadência financeira da família Davert – a perda da TV por assinatura, a falta de mantimentos básicos, etc. – se encontram presentes no diálogo dos personagens – sempre com um toque de mudo desespero. Outro exemplo, mais sutil, é que, ao longo de todo o filme, o personagem principal se vê como que "perseguido" por imagens publicitárias onde são retratados diversos itens de consumo de luxo. Estas surgem em momentos-chave da trama e servem para atormentar ainda mais o nosso protagonista, lembrando-o, a todo o momento, do mundo – o mundo corporativo – do qual ele já fez parte e para o qual anseia tão desesperadamente retornar.

Trata-se de um filme que poderá, a bem da verdade, chocar alguns expectadores mais preocupados com a forma do que com o conteúdo, mas que, com toda a certeza, acrescentará em muito a todos aqueles que lidam direta ou indiretamente com Gestão de Pessoas.
 

 

 

© 2005-2006 OGerente.com.br.  Todos os direitos reservados.